Brasileiro ganha cada vez menos
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sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Nilson Brandão Juniore Carolina Iskandarian<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O brasileiro está ganhando cada vez menos, confirma a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na média nacional, o rendimento em 2002 foi 12,3% menor do que em 1996.
Longe de ser uma simples estatística, ela atinge em cheio o orçamento de pessoas como Jorge Antônio de Castro, de 26 anos. Nos primeiros anos do Plano Real Castro trabalhou como cozinheiro com carteira assinada. A estabilidade permitiu a ele assumir dívidas, como as que fez para comprar aparelhos eletrônicos. A partir de 1997, a economia nacional sofreu com crises externas e o cozinheiro perdeu o emprego. A solução foi vender água de coco na rua. Seu padrão de vida caiu.
Para quem trabalha por conta própria, como o vendedor de coco, a queda de rendimento foi maior do que a média 12,3%. Foram 25%. Castro ganhava R$ 800 como cozinheiro e agora vive com R$ 200 a menos.
O rendimento médio mensal do trabalhador está em R$ 636. Em 1996, o contracheque do brasileiro atingiu seu maior valor com a moeda real: R$ 725. Mas de lá para cá esse valor acumula seis quedas consecutivas. Os estudiosos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fazem ajustes nos dados para comparar valores de anos anteriores.
Com isso, descobrem que nos últimos 20 anos a renda mais alta foi em 1986, o ano do Plano Cruzado. Reajustada a valores de hoje, é como se naquela época a média fosse R$ 785. No ano anterior ao Real, 1993, a renda era mais baixa: R$ 547,00.
Como a memória do bolso do trabalhador é mais curta, o que se sente é atual perda do poder aquisitivo. Compra-se menos do que na fase inicial do Plano Real. Exatamente o que mostra a evolução da renda do trabalho captada na Pnad. Comparando o rendimento médio em 2002 com o de 1996, a queda mensal seria de R$ 89. Ao longo de um ano, o brasileiro deixou de ganhar R$ 1.068. Uma quantia suficiente para comprar um fogão, um aparelho de DVD, um radiogravador portátil e, de quebra, uma bicicleta para o filho.
Essa realidade é vivida também por trabalhadores com rendas maiores. Casado e com três filhos, o taxista Luiz Henrique Alves Ferreira, de 35 anos, endividou-se, mobiliou a casa e comprou carro nos primeiros anos da era Real. Animou-se com a prosperidade econômica, deixou o emprego e abriu uma representação comercial.
Apostava numa economia aquecida. A concorrência com outras firmas e a baixa comissão comprimiram sua renda. Um ano depois, em 1998, a principal cliente desativou a representação. Na praça, tira R$ 1.700 por mês, mas seu poder aquisitivo encolheu.


