Brasileiro fica mais pessimista, diz pesquisa
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quinta-feira, 24 de setembro de 1998
Agência Estado 
O desemprego vai aumentar até o final do ano, na opinião de 60% dos brasileiros entrevistados na pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI)/Ibope sobre aspectos econômicos, divulgada ontem. A expectativa desfavorável cresceu em relação ao levantamento anterior, realizado em julho, quando 48% dos entrevistados previam o aumento do desemprego.
O pessimismo atingiu até os prognósticos da população sobre a inflação: apesar de todos os indicadores econômicos estarem demonstrando um perigo contrário, o da deflação, para 46% das pessoas ouvidas a inflação vai aumentar, contra 32% da pesquisa anterior.
Para os analistas da CNI, a associação traumática entre crise econômica e inflação explica a previsão. Mais concreto, o medo de perder o emprego ou de ter alguém na família demitido assombra 58% dos entrevistados - um índice um pouco menor do que na última pesquisa (61%). Em compensação, cresceu o número de pessoas que já vivem essa situação: passou de 8% para 9%.
No Sudeste, o medo do desemprego está acima da média nacional: 61%, embora haja maior porcentual de pessoas afetadas pelo desemprego do Nordeste, com 12%, do que no Sudeste, com 7%, apontou o coordenador de política econômica da entidade que fez a pesquisa, José Guilherme Reis.
É maior também o desemprego nas cidades com mais de 100 mil habitantes (10%) do que nas com entre 20 mil e 100 mil moradores (8%) e até 20 mil habitantes (7%). São lugares de maior concentração urbana, afetados pelo desemprego industrial, reconheceu o presidente em exercício da CNI, Arthur João Donato.
A CNI e o Ibope realizam essa pesquisa a cada trimestre. Desta vez, foram ouvidas duas mil pessoas em todo o País, entre os dias 12 e 16 de outubro. Como nas anteriores, o desemprego foi apontado como o principal problema do Brasil (72%), seguido da saúde (55%) e das drogas e dos salários dos trabalhadores, ambos com 27%. A queda na renda da população em geral foi prevista por 33% dos entrevistados, oito pontos porcentuais a mais do que no levantamento de julho.
Apesar da expectativa pouco animadora diante de perguntas concretas sobre emprego e renda, 67% consideraram o ano de 1998, até agora, como bom ou muito bom e 62% avaliam que continuará sendo assim.


