A Caixa Econômica Federal (CEF) comemorou os 148 anos da poupança nesta primeira quinzena de janeiro. Tantos anos de poupança e nem assim o país é o que mais poupa em toda América Latina. Reservar dinheiro para a conquista da casa própria, para a reforma da residência e o sonho do carro zero ainda representam a marca registrada da aplicação no Brasil. O pecúlio popular serviu até para que escravos guardassem suas parcas economias na Caixa para pagar sua Carta de Alforria, no valor de 600 mil réis, aos senhores de engenho. Na época, Dom Pedro II fundaria o que é considerado hoje o maior banco de poupança popular do País.
Cerca de R$ 90 bilhões repousam nos cofres da instituição estatal. Deste total, o Paraná tem depositado R$ 6,4 bilhões. O ano passado foram abertas no Estado 147,3 mil contas, totalizando 2,4 milhões de cadernetas de poupança na Caixa. Os novos depósitos em 2008 somaram R$ 729,5 milhões.
Embora a história seja vigorosa, com lances de sacrifícios de poupar até para se conquistar a liberdade, o brasileiro é o que menos poupa na América Latina. A afirmação é da gerente da Painel de Consumidores da América Latina (LatinPanel), Fátima Merlin, empresa especializada em pesquisa para consumidores latinos. A empresa aponta que 74% dos brasileiros não poupam, restando apenas 26% que comprometem 10% de sua renda para este fim.
Quando o assunto é poupar dinheiro para oferecer uma melhor educação, por exemplo, os números são ainda mais inexpressivos. Segundo a executiva, apenas 10% da população brasileira aplica em poupança prevendo o ensino dos filhos, já que pais e mães preferem depositar suas esperanças no ensino público. Em países latinos a história é bem outra, a educação recebe de peruanos 42%, de venezuelanos 39%, colombianos 26%, de chilenos 25%, de mexicanos 20% e dos argentinos 12%.
A gerente da LatinPanel credita a baixa adesão à poupança por parte dos brasileiros ao fato de que muitos ainda estão conquistando seu sonho de consumo. Ela pondera que as famílias brasileiras preferem poupar para a reforma da residência ou para adquirir a casa própria. O levantamento foi feito no final do ano passado, mediante 9 mil entrevistas, em 16 grandes cidades da América Latina, representando 25 milhões de lares e 100 milhões de pessoas. A empresa atua em 15 países da América Latina, representando 96% do PIB desta região.
A idéia de parecer avarento e careta para amigos, muitas vezes itimida os futuros poupadores. É o que pondera o professor do ensino básico, Dirceu Plath, poupador há 25 anos na Caixa de Londrina. Ele conta que já comprou com a poupança a casa própria, uma chácara, um carro zero. Com R$ 40 mil repousando na poupança, o educador conta que vai dar entrada no sonho do apartamento e irá amortizar o restante das prestações com o que conseguir poupar no futuro. ''Passo a receita de poupar para meus alunos, pois esta é a maneira de conquistar sonhos e se prevenir contra um momento financeiro difícil'', ensina.
O empresário da construção civil, Wilson Santini, utiliza as economias guardadas para fazer giro de capital, toda vez que precisa saldar dívidas com fornecedores e os 18 empregados na folha de pagamento. Segundo ele, poupador há 20 anos, os recursos guardados também servem para qualquer eventualidade. ''A situação da economia agora está difícil. É para isso que utilizo também, principalmente quando preciso. Reconheço que a maioria das pessoas não gosta de poupar'', pontua.

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