César de Sousa, que deseja ingressar na universidade no curso de Direito, faz de tudo para estudar e se dar bem no próximo vestibular. Estuda, inclusive, pela internet. Sem computador nem acesso à rede em casa, o vizinho fez a gentileza de ceder sua senha do Wi-Fi para que ele pudesse estudar pelo celular à noite. Mas, como o sinal não chega até sua casa, Sousa chega do trabalho, senta na calçada e fica até madrugada assistindo a videoaulas.
"Não tenho internet porque não tenho condições", conta Sousa, que trabalha monitorando câmeras de segurança em um condomínio. Já a artesã Pricila Aparecida da Silva não para em um só lugar. Vive viajando para vender seus produtos. Por este motivo, não tem casa fixa e não tem como contratar um plano de internet. O celular que tinha acesso à rede foi roubado. Mesmo assim, dá um jeito de entrar em contato com os amigos que ficaram na sua cidade de origem pela web. De passagem em Londrina, ela utilizava gratuitamente o telecentro da Biblioteca Pública Municipal. "Internet é tudo nesta vida. Como estou longe da família, amigos, é o único jeito de me comunicar com eles."
O acesso à internet cresceu 143,8% entre a população com 10 anos ou mais de 2005 para 2011, enquanto o crescimento populacional foi de 9,7%. O estudo, feito com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os entrevistados foram questionados se tinham acessado a internet nos três meses que antecederam o levantamento.
Apesar da disparada, 53,5% dos brasileiros dessa faixa etária ainda não utilizam a rede. "Evoluindo (o acesso à internet) está, isso é fato. Mas se já está em um patamar favorável, isto é questionável", diz a pesquisadora do IBGE, Adriana Beringuy.
Segundo a pesquisa, a inclusão digital pode estar relacionada a fatores como a renda. Em 2011, a maior parcela de brasileiros que utilizaram a internet (76,1%) tinha renda entre três e cinco pisos salariais (R$ 2.034 a R$ 3.390). Foi considerado o rendimento mensal per capita. Já a menor parcela (21,4%) era de brasileiros que não tinham rendimentos ou recebiam o equivalente a um quarto do salário mínimo (R$ 169,50).

Outros fatores
Mas, ao mesmo tempo, aqueles que tinham ganhos maiores do que cinco mínimos tiveram um percentual menor do que aqueles com a renda imediatamente inferior, de 67,9%. A explicação, na opinião do IBGE, está no fenômeno chamado "efeito geração". Entre os que têm renda mais alta há uma presença muito forte de pessoas com 50 anos ou mais, e estes tendem a usar menos a internet. Os jovens são os que mais acessam a rede. Os maiores percentuais foram dos grupos com idade de 15 a 17 anos (74,1%) e de 18 ou 19 anos (71,8%).
O levantamento apontou ainda que quanto maior o número de anos de estudo, a inserção digital também era mais elevada. Na análise por sexo, o percentual de acesso à internet era maior para as mulheres, nos grupos etários até os 39 anos. Dos 40 aos 49 anos de idade, o percentual de internautas era igual para ambos os sexos e, a partir dos 50 anos, era maior para os homens.
Os dados explicam, na visão da pesquisadora do IBGE, Adriana, que não é apenas a posse de computador e de um plano de internet em casa, sujeitos ao fator renda, que explicam o uso efetivo da rede mundial de computadores. "Em alguns casos, pode haver até mesmo resistência ao uso", diz. Segundo ela, em 2011, a maioria dos pesquisados afirmou que não usou a internet por não ver necessidade ou não haver interesse. Ela ressalta ainda que esta resposta pode estar associada ao fato de não saber usar a ferramenta e ao envelhecimento da população, já que os mais velhos têm menos contato com a tecnologia. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Brasileiro faz de tudo para acessar a internet
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