Brasileiro está tomando mais café
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segunda-feira, 12 de março de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O consumo de café no Brasil aumentou 5,10% no ano passado, enquanto o consumo mundial da bebida avançou 1,5%. Desde 2003, o consumo interno aumentou 19,2%, saltando de 13,7 milhões de sacas para 16,33 milhões. No ano passado, cada brasileiro consumiu 4,27 kg de café torrado, quase 70 litros, registrando uma evolução de 3,9% em relação ao consumo per capita de 2005. Os dados foram divulgados ontem pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Guivan Bueno e pelo diretor executivo da entidade, Nathan Herzskowicz.
Neste ano, o Brasil deve produzir 33 milhões de sacas de café. A média anual de consumo interno tem sido de 43 milhões de sacas. Por isso, há a possibilidade de faltar café no País entre o final de 2007 e o primeiro trimestre de 2008. Herzskowicz disse que as indústrias vão fazer o que é possível para não deixar faltar o produto na mesa do brasileiro. ''Vamos disputar o café com o importador nacional'', disse. Ele acredita que é provável que o Brasil tenha um déficit de 3 milhões a 4 milhões de sacas do produto. Com a falta de oferta, a bebida pode subir ainda mais para o consumidor final.
No Paraná, a produção de café deve ter uma queda de 20% neste ano e fechar em 106 mil toneladas contra as 135 mil produzidas em 2006. A área plantada neste ano no Estado é de 99.280 hectares, 1% a menos em relação a safra anterior. O café passa por período de entressafra de outubro a abril. A colheita acontece de abril a outubro, sendo mais intensa de junho a agosto.
O diretor executivo da Abic, lembrou que na década de 90 a produção brasileira média era de 23 milhões de sacas por ano. Nos últimos cinco anos, saltou para 37 milhões de sacas. O maior produtor nacional é o Estado de Minas Gerais que responde por 50% da produção nacional, seguido do Espírito Santo (25%), São Paulo (11%) e Paraná (7%).
Preços - Na semana passada, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Paraná (Dieese-PR), apontou que o produto da cesta básica de Curitiba que mais subiu em fevereiro foi o café (26,15%) enquanto os preços pagos ao produtor teriam caído entre 1,57% e 3,42% de janeiro para fevereiro.
O diretor executivo da Abic contestou as informações. Segundo ele, os preços pagos ao produtor subiram 40% entre outubro e fevereiro. As indústrias aplicaram um reajuste de 20% a 26% entre janeiro e fevereiro deste ano. Segundo ele, o aumento do preço do café cru é que foi responsável pelo repasse que a indústria teve que fazer para o consumidor final. O executivo explicou que o café cru representa 65% do preço final do produto. De acordo com o diretor executivo da Abic, o preço do café cru aumentou porque não há estoques excedentes e o consumo mundial tem crescido.
Herzskowicz lembrou que entre julho de 1994 e janeiro de 2007, o produto subiu, em média, 17% para o consumidor final enquanto a cesta básica teve uma elevação de 146%.
Ele acredita que o consumo do café no País tem crescido em função da divulgação que a indústria faz do produto e da promoção da qualidade do por parte dos fabricantes. ''A qualidade é o motor do consumo'', disse.
Herzskowicz disse que o consumidor também tem recebido mais informação sobre os benefícios que o café traz para a saúde como ativar a memória, melhorar o nível de concentração, prevenir a depressão, reduzir os problemas cardiovasculares e atuar como uma fonte de anti-oxidantes prevenindo o envelhecimento. O consumo moderado também pode prevenir diabetes do tipo 2 e o Mal de Parkinson.


