A primeira pesquisa realizada este ano pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em conjunto com o Ibope, divulgada ontem em Brasília, indica queda no sucesso do Plano Real, maior temor com o aumento da inflação e do desemprego, além de expectativa de redução da renda das pessoas para os próximos seis meses. Apesar de tudo, a grande maioria dos entrevistados tem expectativas favoráveis para 1998.
A pesquisa, feita com 2 mil entrevistados maiores de 16 anos em várias regiões do País, entre os dias 9 e 13 de janeiro, mostra que a avaliação favorável ao Real caiu de 42% em outubro passado, data do último levantamento, para 36% este mês.
Entre os entrevistados pelo Ibope, 47% acreditam que a inflação vai subir, ou seja, 10 pontos percentuais a mais que o verificado em outubro de 1997. A proporção dos que esperam aumento do desemprego nos próximos seis meses passou de 61% para 67% e dos que esperam redução da renda das pessoas subiu de 27% para 29%. O surpreendente é que, apesar de tudo, 81% esperam o ano de 98 com otimismo.
Outro dado da pesquisa também chama a atenção: a recessão e o desemprego, que vinham sendo apontados desde agosto de 1996 como maiores ameaças ao Plano Real, perderam o posto nesta pesquisa para o descontrole dos gastos públicos e o aumento dos preços dos serviços públicos, ambos com 15% das respostas.
Ao divulgar os resultados da pesquisa, o presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), disse que o temor pela alta da inflação e a queda no sucesso do Real refletem a instabilidade causada no mundo todo pela crise das bolsas de valores asiáticas. Esta instabilidade também se traduz no temor do desemprego e no apoio revelado pelos entrevistados com relação à redução da jornada de trabalho e salário, recentemente aprovados pelo Congresso Nacional. ‘‘Embora as pessoas não tenham entendido muito bem a crise, elas entenderam que alguma coisa está acontecendo’’, disse Bezerra.
Conforme a pesquisa, 60% aprovaram o contrato temporário de trabalho, sendo que este percentual fica ainda mais alto - 67% - quando a pergunta é se o próprio entrevistado aceitaria ter sua jornada e vencimentos reduzidos para evitar demissão do emprego. O medo do desemprego é maior entre as mulheres (66%), contra 53% dos homens. ‘‘O grande temor da população com o desemprego explica o apoio à redução da jornada’’, disse Bezerra.
Com relação ao Real, a proporção dos indivíduos que avaliam ser o plano um sucesso é igual a de maio/97, a menor do ano passado, mas ainda é maior que a verificada em maio e agosto de 1996, quando apenas 31% dos entrevistados tinham expectativas positivas em relação ao Plano. Também subiu em seis pontos percentuais, alcançando 45% dos entrevistados, a resposta de que ainda é cedo para uma avaliação sobre o futuro desempenho do Real.

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