Rio de Janeiro - Em novembro, devido ao agravamento da crise global, o consumidor brasileiro experimentou uma queda na confiança equivalente aos recuos nos índices de confiança dos consumidores argentino, europeu e norte-americano. A avaliação é do coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Aloisio Campelo. A análise do economista foi feita com base na queda de 15,2% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em novembro, ante novembro do ano passado.
  O analista explicou que padronizou os dados de índices de confiança do consumidor da Argentina, da União Européia, e dos Estados Unidos, e efetuou um ajuste sazonal nos resultados, para em seguida comparar com a confiança do consumidor brasileiro.
  Entretanto, com a restrição de oferta de crédito tanto nos cenários nacional como internacional, a economia do País sofre um impacto mais intenso. ‘‘Agora, em novembro, o mau humor do consumidor brasileiro foi comparável ao mau humor do americano, do europeu, e do argentino’’, afirmou.
  Com base na piora do humor, Campelo disse que o consumidor será mais cauteloso no Natal. O economista admitiu que houve uma piora generalizada nas respostas do consumidor brasileiro em novembro, usadas para cálculo do índice. ‘‘A única resposta que não apresentou piora em novembro foi sobre as projeções de infla-ção’’, afirmou.
  De acordo com Campelo, a projeção do consumidor para a inflação nos próximos 12 meses caiu de 7,3% para 7,2%, de outubro para novembro. ‘‘O consumidor tornou-se um pessimista. Estamos no segundo mês de resultado negativo para o ICC (que teve queda de 10% em outubro ante setembro), e chegamos em novembro ao pior nível da série’’, afirmou o economista, lembrando que o patamar de confiança do consumidor registrou em novembro o mais baixo patamar desde o início do índice, em setembro de 2005.

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