Já se foi o tempo em que o consumidor brasileiro aceitava qualquer coisa. Hoje em dia, ele está mais exigente, principalmente com o que come. Para Marco Antonio Machado, presidente da Comissão Técnica de Fruticultura, da Federação de Agricultura do Paraná (Faep), essa mudança vem desde a criação do Plano Real. ''A abertura de mercado e aumento do poder aquisitivo facilitaram o acesso a produtos que, até então, circulavam basicamente nas classes econômicas mais altas'', explicou.
De acordo com o engenheiro agronômo Rodrigo Aquino de Paula, do Departamento de Economia Rural (Deral) vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), apenas 1% da produção nacional de frutas é vendida ao exterior. Na opinião de ambos, é um equívoco pensar que o brasileiro fica com a pior parte. ''O preocupação com a qualidade é uma questão de sobrevivência independente do mercado'', reforçou o agronômo.
Em 2001, o Brasil importou 241.537 toneladas de frutas e exportou 580.137 toneladas. No ano passado, a compra foi de 194.298 toneladas e a venda subiu para 668.906 toneladas, conforme a Secretaria de Comércio Exterior, do governo federal. No Paraná, a colheita foi de 1.184.965 toneladas, das quais 52% foram de cítricos (laranjas e tangerinas, entre outras) e 30% divididas entre banana, melancia e a uva fina de mesa.
Segundo Machado, o País já foi o maior produtor de frutas do mundo e hoje ocupa o terceiro lugar atrás da China e Índia, respectivamente. A resposta para isso é o uso abusivo de agrotóxicos que são abominados, principalmente, pelos norte-americanos e asiáticos. A substituição das embalagens de madeira por papelão é outra exigência externa que os produtores estão sendo obrigados a atender. ''Além do risco de contaminação das frutas, eles se preocupam com o meio ambiente. Se comprarem produtos em caixa de madeirão terão que queimá-la e o papelão é reciclável''.
Atualmente, as frutas representam 2,9% do Valor Bruto da Produção Agropecuária Estadual (VBP) e, em 2001, renderam R$ 395.853.810,04. Ano passado, essa atividade ocupava 58,8 mil hectares que tiveram rendimento médio bruto de R$ 6.537,00. Para obter melhores resultados do setor, o governo criou há quatro anos o programa Hortiqualidade que é desenvolvido dentro dos Ceasas.
Segundo Rodrigo, engenheiros agronômos analisam as mercadorias e auxiliam os produtores na tarefa de classificar, embalar e rotular seus produtos. ''Não basta só ter qualidade. É preciso quantidade para abastecer o mercado num preço competitivo'', finalizou Machado.

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