Brasileiro está devendo mais
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domingo, 14 de setembro de 1997
Denise Neumann Agência Estado São Paulo 
No crediárioMaior parte da dívida dos brasileiros está pendurada nas lojas de eletrodomésticosO crédito pessoal, que sustenta o comércio varejista, representa 10% do total de recursos emprestados pelos bancos em 1997. Em 1990, essa participação correspondia a apenas 2% do total. Em função deste crescimento, cada brasileiro possui, em média, US$ 159 em dívidas com cartão, cheque especial, empréstimo pessoal, crediário de eletrodoméstico, roupa ou carro, indicando que o endividamento médio do brasileiro aumentou mais de 1000% na década. Em 1990, a dívida média por brasileiro somava apenas US$ 14, segundo dados calculados pelo Departamento Econômico do Bicbanco, com base nas estatísticas oficiais do Banco Central.
Para o diretor-financeiro do Bicbanco, Paulo Mallmann, o nível de endividamento do brasileiro ainda é muito baixo. Crédito, lembra ele, é um motor de crescimento. Quando empresas não possuem crédito, investem menos e crescem em um ritmo mais devagar. Com as famílias ocorre o mesmo: compram bens em velocidade menor e contribuem menos para o desenvolvimento de toda a economia. Em média, no ano de 1997, os bancos mantiveram US$ 25 bilhões emprestados em diversas modalidades de crédito pessoal.
A expansão do volume de crédito foi significativa em 1994 e em 1995, para depois estacionar ao longo de 1996. Em 1997, contudo, o crédito voltou a subir e expandiu 40%. Em 1996, a dívida média por brasileiro estava em US$ 112 e, neste ano, considerando a média de janeiro a junho, está em US$ 159, em cálculos que excluem a prestação da casa própria. Comparando esse dívida com o salário médio pago na Grande São Paulo (R$ 860 em junho passado), o paulista devia, em média, 5,5 dias de salário. No mesmo período de 1996, essa dívida era inferior ao valor de quatro dias de salário.
No Brasil, diz Mallmann, a dívida média de longo prazo de uma família (incluindo casa própria) é de US$ 1.915, enquanto nos Estados Unidos ela chega a US$ 83,9 mil. Ou seja: 40 vezes maior.
Cartão Uma modalidade bastante utilizada pela população é o parcelamento das compras com cartão de crédito. No mês de agosto, o total de compras com cartões somou US$ 2,3 bi. Dados da Credicard mostram que antes do Plano Real as vendas financiadas correspondiam a 10% do total. Hoje variam entre 40% e 45%. Se os percentuais da Credicard forem considerados uma média do mercado, US$ 1 bilhão é rolado mensalmente, a uma taxa de juros de 10%. A estimativa é que esta participação ultrapasse 60% do total. Mais uma vez, os Estados Unidos são a referência, pois lá 85% das compras com cartão de crédito são pagas parceladamente.
Uma modalidade que não está embutida na dívida de US$ 159 por pessoa e perdeu espaço na preferência do consumidor foi o uso do cheque pré-datado. A Teledata vem constatando queda nos últimos meses. Em agosto deste ano o volume de pré-datados foi 5,3% menor do que no mesmo período do ano passado. Em agosto, a Teledata garantiu 3 milhões de cheques que serão pagos no futuro. Nos supermercados, a participação de pré-datados no faturamento chegou a 40% no final do ano passado e caiu para 30% em maio deste ano, diz Nelson Barrizzelli, da Fundação Instituto de Administração (FIA) da USP.


