'Brasileiro é profissional criativo na área de TI'
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de junho de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Pedro Donda, presidente do Grupo STP - Serviços e Tecnologia de Pagamento S.A., começou na área de tecnologia da informação (TI) em 1969 como estudante. Quase quatro décadas depois e um currículo que confundem-se com a história da informática no País, o executivo não tem medo de afirmar que o Brasil é um competente produtor de TI.
FOLHA - O brasileiro compete de frente com os profissionais estrangeiros?
Pedro Donda - As multinacionais gostam de brasileiros porque somos criativos e sabemos fazer um trabalho com qualidade e com alto índice de produtividade. Destaco os artigos de inovação. Acho que tem muito haver com a nossa mistura de raças. Para as empresas que mantêm uma grande estrutura aqui, o Brasil é competitivo por oferecer um diferencial no valor do profissional em relação ao estrangeiro. Ela faz economia e tem um funcionário muitas vezes tão bem qualificado quanto o lá de fora. Mesmo assim, a nossa mão-de-obra não é mais explorada porque impostos sobre o trabalho encaressem muito as contratações. A CLT precisa ser revista.
Para os profissionais, a remuneração é compatível?
Na realidade do País, como empresário, eu acho que o profissional de TI é bem pago. Claro que há diferenças de um lugar para outro e quanto ao cargo que ocupa. Há tempos de maior oferta ou procura. O mercado é uma questão econômica. Quando há descompensação há uma maior valorização. Em 2000, época do boom, todo mundo mexendo com computador, havia uma completa ausência de profissionais. Uma visão errônea que qualquer um que soubesse o básico poderia trabalhar no setor. Os elementos que formam este profissional como escola, cursos estão sempre inovando e formando pessoas com as especifidades que o mercado demanda de tempos em tempos.
O tecnologia da Informação está em pequenos detalhes do cotidiano como um celular, internet ou GPS. áNos tornamos escravos?
Não. Apenas nos especializamos em TI e criamos produtos que nos satisfazem. O consumo aumentou porque a oferta é grande. Era algo artesanal e hoje há as pessoas que se especializaram em cada parte de uma produção como hardware, software e designer. As pessoas nem notam que estão utilizando a TI, mas ela está ai. O ser humano tem uma ansiedade psicológica de se comunicar, de se incluir e a tecnologia acelerou este movimento. O brasileiro é fã de tecnologia e pesquisas revelam que o índice de adoção de novos produtos é maior aqui em relação aos países evoluídos. Soluções em internet, lazer, compras, tudo que aparece, o Brasil se adequa com facilidade.
A tecnologia gera desemprego?
Em áreas e funções específicas isso é verdade sim, mas no todo, não. As pessoas se reciclam, aprendem outras coisas e a tecnologia acaba gerando mais demanda e consequentemente mais emprego. O setor bancário é bom exemplo quando foram instalados terminais de saque 24 horas, dizia-se que os caixas iam acabar. Isso não aconteceu e, em alguns bancos, expandiu porque os serviços baratearam, mais agências abriram e novos postos de trabalho foram gerados, não necessariamente como caixa, mas também em outras funções. Fecha por um lado e abre em outro.
Comprar pela Internet já deixou de ser um mito?
A cada ano cresce na casa dos bilhões o volume de vendas pela internet, ampliando a fatia de mercado para aquisições por meio virtual, por alguns motivos: as pessoas estão perdendo o medo de comprar, computadores mais acessíveis com uma penetração expressiva em diversas camadas da sociedade, tornando-se cotidiano e confiança que é seguro.
O Brasil se esforça para ter uma inclusão digital?
Em diversos locais há facilidade em se encontrar equipamentos como em centros estudos e muitas escolas hoje já contam com laboratórios. Por sorte, há também pessoas dedicadas em difundir e investir em projetos de inclusão. Temos inclusão, mas é preciso ampliar. Embora tenhamos um nível baixo de analfabetismo, o índice é relativamente alto quando se fala em analfabetismo funcional, ou seja, quando o indivíduo sabe ler e escrever, porém não utiliza este insumo para o seu desenvolvimento pessoal.
Como o senhor avalia a qualidade da educação para TI em nossas universidades?
No Brasil há qualidade de formação, com alguns centros de excelência, que inclusive produzem tecnologia de ponta que são utilizadas em lugares de grande importância no mundo todo. As universidades federais e algumas particulares não deixam nada a dever ao ensino estrangeiro. Mas é preciso correr porque a formação demora mais que a evolução da tecnologia. É necessário estudar constantemente. Na STP estamos modernizando o sistema da empresa por meio de um processo chamado engenharia reversa que foi desenvolvido pela USP através da Faculdade de São Carlos e essa ferramenta já foi exportada. É um profissional que demanda uma formação acima da média e
Como fica o mercado de TI para os próximos anos diante do consumo crescente no cotidiano?
A TI mudou de foco, deixou de ser algo administrativo para ser aplicada ao usuário comum, especializando em demandas do dia-a-dia. é assim que eu vejo o futuro. O mercado está exigindo profissionais que lidem com a TI para o cotidiano. Muitas vezes esquecemos o quanto o Brasil é desenvolvido nesta produção e como usamos TI sem perceber. No Brasil temos a urna eletrônica, sistema de votação que países de primeiro mundo ainda não adotaram; um dos poucos países que o imposto de renda é na internet; sistemas bancário mais evoluído do mundo, pagamento de conta pela internet é raro em muitos pontos do mundo.


