A quantidade de pessoas que vão usar o 13º salário para pagar dívidas cresceu 9,68% de 2013 para 2014. Já o número de pessoas que pretendem usar parte do pagamento de fim de ano para comprar presentes diminuiu 21,43% de um ano para o outro. Os números são de pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
O pagamento de dívidas é o destino que a doméstica Marcela Regina Pereira Nunes dará à segunda parcela do 13º. A primeira parte já foi pedida com antecipação, devido a imprevistos financeiros. "Em casa, sou a única que trabalha com carteira assinada." O que sobrar, será aplicado em uma reforma da casa, ela diz.
Segundo Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, esta pesquisa é realizada há quinze anos, e o brasileiro sempre deu prioridade ao pagamento de dívidas quando do recebimento do 13º. "Mas este ano esta porcentagem (68%) deu um salto", diz, o que mostra o aumento das dívidas do brasileiro.
"Foi um ano muito difícil, com inflação alta corroendo a renda do trabalhador, juros subindo, menor crescimento econômico, e isso acaba aumentando a dívida das famílias, que têm que fazer mais empréstimos para complementar o orçamento." Reflexo disso pode ser percebido não só no decréscimo de pessoas que pensam em usar o pagamento de fim de ano para presentes de Natal (11%), mas também no volume de pessoas (2%) que pretendem poupar o que sobrar do 13º, que reduziu pela metade.
Para o consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, o alto endividamento do brasileiro tem relação com o "consumo exacerbado", fruto de decisões do governo federal. "Uma delas é a redução do IPI para linha branca e automóveis, que fez com que o consumidor fizesse aquisições mesmo sem ter condições."
A decisão dos brasileiros de priorizar o pagamento de dívidas ao invés da compra de presentes de Natal, segundo Rambalducci, é correta. "Esta é uma decisão correta e boa para todo mundo, inclusive para o comércio. Para esta renda ser canalizada para o consumo, é preciso primeiro limpar o nome e voltar a ter crédito com segurança."

Cartão de crédito
De acordo com o estudo da Anefac, a maior parte das dívidas que deverão ser liquidadas com o 13º são aquelas contraídas com o uso do cartão de crédito (43%) e do cheque especial (38%). Para o economista Joilson Dias, professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), o aumento do endividamento do brasileiro é consequência do descontrole de contas e da compra compulsiva. Segundo ele, uma pesquisa realizada pela universidade mostrou que a maior parte dos endividados tinha mais de um cartão de crédito. "Sem dúvida, o melhor a fazer é usar o 13º para pagar estas dívidas. Os juros do cartão de crédito são bastante abusivos."

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