Brasileiro desconsidera alta do dólar em viagens
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quarta-feira, 06 de novembro de 2013
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A cotação do dólar fechou ontem a R$ 2,289 para venda, 13,4% acima dos R$ 2,01 de seis meses atrás, o que não tem sido o bastante para afastar o brasileiro dos gastos em viagens internacionais. Números do Banco Central (BC) apontam que os turistas deixaram US$ 2,168 bilhões em terras estrangeiras durante setembro, a maior quantia para o mês desde o início da série histórica, em 1969. E cidades como as norte-americanas Nova York, Miami e Orlando aparecem como as preferidas nas agências, pela vocação como destinos comerciais.
Na comparação com os US$ 1,703 bilhão de setembro de 2012, os gastos no exterior neste ano foram 27,3% maiores. No acumulado de janeiro a setembro, o valor foi de US$ 16,339 bilhões no ano passado para US$ 18,937 bilhões em 2013, alta de 15,9%.
Crescimento que faz com que a expectativa da empresa de marketing e promoção do turismo de Nova York, a NYC & Company, seja de receber 8,4% mais visitantes brasileiros em 2013 do que os 826 mil do ano passado. Entre as três atividades preferidas dos turistas estão justamente compras (95%), comer em restaurantes (93%) e visitar monumentos históricos (76%), com gastos estimados em US$ 1,9 bilhão.
Em Londrina, a diretora da Albatroz Turismo, Cristiana Pitol Grassano, afirma que o boom da procura por viagens internacionais ocorreu a partir de 2010, com a desvalorização do dólar e a redução do preço de tarifas aéreas. Ao perceber que a demanda aumentaria, a empresa apostou em 2011 na reserva de pacotes para compras nos Estados Unidos na época da promoção conhecida como Black Friday, na última-sexta-feira de novembro. "Fizemos o bloqueio de 20 lugares por voo e tivemos 11 grupos que foram para os Estados Unidos, todos com destino às compras em Orlando, Miami e Nova York."
Cristiana diz que a demanda se dispersou por todo o ano seguinte e, hoje, mesmo com a valorização do dólar nos últimos meses, as viagens e as compras em países estrangeiros continuam atrativas. "É tudo muito barato e é mais econômico comprar fora do Brasil do que dentro, por causa dos impostos."
O professor de economia Sidnei Pereira do Nascimento lembra ainda que a renda média do brasileiro aumentou e que os preços tendem a ser mais em conta em países onde a crise econômica foi mais agressiva do que no Brasil. "E a política de tributação dos Estados Unidos é mais sobre a renda, enquanto a nossa é principalmente sobre o produto, que fica mais caro."
No entanto, o economista diz que o dólar subvalorizado é, mesmo, o principal fator para os altos gastos em viagens no exterior. Ele vê a cotação ideal em R$ 2,70. "O dólar deveria estar em patamar de equilíbrio, mas é preciso entender que, se mexer na cotação, o País terá elevação de inflação por todas as importações de que precisa", afirma Nascimento.


