Brasileiro compra água a preço de frango
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sexta-feira, 04 de fevereiro de 2005
Marilena Lazzarini<br>Especial para AE 
São Paulo - Considerada uma das mais baratas fontes de proteína animal e com menor teor de gordura, a carne de frango é muito consumida principalmente pela população brasileira de menor renda. Segundo o USDA (US Department of Agriculture), cada brasileiro consome 27,7 kg por ano, ocupando o quinto lugar atrás da União Européia, EUA, Arábia Saudita e Canadá.
Com o crescimento no consumo do produto e a praticidade de optar pelo frango congelado, mas também com preocupações quanto a qualidade do produto, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) realizou em dezembro o teste com aves congeladas. O resultado, divulgado essa semana, é grave: o consumidor está comprando água a preço de frango. Ou seja, a maioria das marcas testadas foi reprovada no teste que verifica o cumprimento do limite máximo de água absorvida pelo produto, conforme a legislação fixado em 6%.
As aves congeladas selecionadas para o teste comparativo são cinco frangos (das marcas Brotão, Copacol, Korin, Sadia e Nhô Bento), dois galetos (Aurora e Perdigão) e uma galinha (Flamboiã). O critério de seleção das marcas foi a importância mercadológica, prevalência nos pontos-de-venda visitados durante a pesquisa de mercado e a disponibilidade nos pontos-de-venda na data da compra. As amostras foram adquiridas nas principais redes de supermercados da Grande São Paulo.
O teste do Idec tinha como objetivo verificar quatro parâmetros: rotulagem, qualidade sanitária, Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) e teor da água perdida pós-descongelamento (drip test).
Na avaliação da rotulagem, todos os produtos foram reprovados. Nenhuma empresa respeita integralmente a legislação para rotulagem de alimentos, o que demonstra que o consumidor está sujeito a uma série de informações incorretas ou imprecisas.
Na análise microbiológica, no geral, os resultados revelaram boa qualidade sanitária da maioria dos produtos analisados. Mas, uma marca revelou a presença de Salmonella.
Já em relação ao SAC, pôde-se observar que a maioria dos serviços ainda carece de melhor capacitação por parte dos atendentes para informar adequadamente o consumidor.
O resultado mais grave, no entanto, foi o do drip test, no qual somente uma marca foi aprovada. A maioria dos produtos testados excedeu os limites de água perdida pós-descongelamento, o que não somente fere a legislação vigente, como também representa um prejuízo ao conjunto dos consumidores, considerando que os mesmos estão pagando pela água incorporada ao produto durante o processo de resfriamento, o que interfere no custo final produto.


