O Brasil retomou as negociações com os Estados Unidos sobre as exportações de carne ''in natura'' para o mercado americano. Atualmente, o País está proibido de embarcar esse produto por não contar com a certificação exigida de que seu rebanho está livre da contaminação pela febre aftosa. As primeiras conversas se deram na noite de ontem entre o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, e a secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Ann Veneman, em paralelo à reunião do Grupo de Cairns, que agrega os exportadores agrícolas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

''Acredito que o processo de certificação nos Estados Unidos deva demorar de quatro a seis meses'', declarou Partini. ''A partir daí, poderemos exportar nossa carne maturada sem osso para o mercado americano e conquistar ainda outros países consumidores.''

Segundo Pratini, Veneman comprometeu-se a encaminhar, ainda neste mês, o pedido de avaliação do rebanho brasileiro ao Serviço de Inspeção Sanitária de Animais, Plantas e Saúde (Aphis, em inglês), o órgão certificador americano. No território brasileiro, apenas 12 Estados das regiões Norte e Nordeste ainda apresentam risco de contaminação pela febre aftosa. Os demais, que concentram 80% do rebanho nacional, estão livres da doença, mas com vacinação. O Ministério da Agriultura estima que, em 2005, a aftosa estará erradicada no País.

Carne in natura No mercado americano, a carne 'in natura' brasileira, que é mais magra que o produto local, conta com a demanda por parte de produtores de hamburguer com menos gordura. Hoje, o Brasil exporta cerca de US$ 100 milhões ao ano de carne industrializada, que é cozida, para os Estados Unidos.

Durante a conversa com Veneman, Pratini evitou tratar dos subsídios do governo americano a seus produtores de soja. A questão é tema de consultas formais do Brasil com os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) e poderá, a partir de novembro, tornar-se um novo conflito comercial entre os dois lados. ''Claro que vou ficar em cima desse assunto. Mas não quis trazer um tema de divergência para essa conversa'', afirmou o ministro.

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