As exportações brasileiras de carnes, especialmente suína, destinadas à Rússia, deverão ser retomadas a partir dessa semana. O diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Enio Marques, informou ontem que isso será possível com a vinda de um veterinário do Serviço Sanitário da Rússia, que ficará instalado em Itajaí (SC), com a finalidade exclusiva de autorizar a certificação sanitária do produto a ser embarcado para o mercado russo.
As exportações estavam suspensas desde o dia nove último, em decorrência de focos de aftosa no Rio Grande do Sul. O veterinário, Alexey Chtcheglov, já começa a trabalhar nesta terça-feira. A vinda do veterinário russo faz parte de um acordo firmado pela Abiec e Associação Brasileira das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Carne Suína (Abicps), com o governo daquele país, para que as vendas brasileiras de carnes possam ser retomadas.
Para aprovar os certificados de inspeção sanitária brasileiros que avalizam a qualidade da carne a ser exportada, a Rússia exigiu que um funcionário do seu serviço veterinário fique no Brasil enquanto houver exportações para aquele país. Enio Marques disse que a cada três meses haverá a susbtituição, pela Russia, do funcionário, que terá as suas despesas no Brasil (moradia e diárias) bancadas pela Abiec e Abipecs.
Embora este seja um procedimento estranho - um funcionário russo ser pago pelo setor privado brasileiro - Enio Marques informou que este tipo de negociação é legalmente permitida. Alexey Chtcheglov ficará instalado em Itajaí, não só em função da importância do porto local, mas porque Santa Catarina, considerada livre da aftosa sem vacinação pelo governo brasileiro, é o único estado que está vendendo carne suina para a Rússia. A partir de Itajaí, o veterinário russo se deslocará a outras localidades para inspecionar frigorificos e portos.
Os russos, segundo Enio Marques, também descartaram a possibilidade de as empresas brasileiras exportarem carne maturada, já embalada, pronta para ser vendida no comércio varejista russo. ‘‘Eles só permitirão a entrada de carne para ser industrializada lᒒ, observou. Com a proibição, as vendas de carnes com maior valor agregado, continuam proibidas. russia-inspeção O diretor-executivo da Abiec informou ainda que a associação está solicitando a interferência do governo brasileiro para resolver problemas decorrentes do retorno da febre afosa no Rio Grande do Sul com relação às exportações de carnes destinadas à Arábia Saudita, Singapura e China.
Segundo ele, a Abiec e a Abipecs querem que o Ministério da Agricultura envie uma missão técnica a esses países apra prestar esclarecimenos sobre a afebre aftosa.
Ele explicou que embora a Arábia Saudita tenha proibido somente a importação de animais vivos (bois e bovinos) - que o Brasil não exporta para aquela região - em função da aftosa no Rio Grande do Sul, os importadores sauditas estão recomendando a suspensão das importações de carnes brasileiras. A Arábia Saudita também está dificultando as importações com a imposição de regras referentes ao embarque de carnes.

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