O Brasil passará, pelo menos neste ano-safra, de importador a exportador de milho. Enquanto no final do ano passado a grande discussão era sobre a importação ou não de milho transgênico para abastecer o mercado interno, hoje os vendedores brasileiros, principalmente as cooperativas, buscam mercado externo para o milho nacional. Para analistas e corretores, as exportações foram a única solução viável para dar liquidez ao mercado de milho, que ficou às moscas no final de 2000. Nas últimas semanas, o principal comentário que se ouve é de venda de lotes para exportação. As agroindústrias, depois de vários meses de ausência, começam a voltar ao mercado para comprar, mas mesmo assim, pequenos lotes.
Apesar do otimismo quanto ao mercado externo, ninguém arrisca dizer o que pode acontecer nos próximos anos. Ou seja, ninguém sabe se o Brasil continuará exportando milho. ‘‘A manutenção das exportações dependerá da uniformidade da produção, fato pode acontecer caso o produtor não seja desestimulado’’, afirmou Silvio Farnesi, assessor da Secretaria de Comercialização do Ministério da Agricultura. Ele acrescentou que o objetivo do governo é continuar exportando milho. ‘‘Em fevereiro, o governo anunciou as medidas de apoio à comercialização para impedir que os preços recuem e não desestimular os produtores’’, disse.
Volume As estimativas de analistas são que as exportações de milho da safra de verão 2000/01 serão superiores a um milhão de toneladas, sendo que essa meta deve ser alcançada no primeiro semestre do ano. ‘‘Entre o que já foi exportado e os contratos fechados até junho, as exportações de milho já somam um milhão de toneladas’’, afirmou Flavio Turra, do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Leonardo Sologuren, da FNP Consultoria, é ainda mais otimista em relação às vendas externas e estima que o Brasil exportará um milhão de toneladas de milho até maio. ‘‘Nossas previsões iniciais eram de vendas de 700 mil toneladas. Elevamos a expectativa para 850 mil toneladas. Agora estimamos que o Brasil exportará mais de um milhão de toneladas’’, disse ele. Silvio Farnesi, assessor da Secretaria de Comercialização do Ministério da Agricultura, estima que as exportações totais de milho da safra de verão 2000/01 somarão 800 mil toneladas. ‘‘O Brasil deve exportar 200 mil toneladas de milho da safrinha 99/2000’’, afirmou o assessor.
Para os analistas, entre 15 de março e 15 de maio, o escoamento de milho para o mercado externo deve diminuir, mas as exportações retomarão o vigor em junho. ‘‘As exportações de milho devem diminuir por causa da colheita e das vendas externas de soja’’, afirmou Turra. Apesar da venda de soja ser prioridade nos próximos meses, exportações de milho para o segundo semestre já foram fechadas. Rumores são que a Cooperativa de Campo Mourão (Coamo) teria fechado venda de 140 mil toneladas de milho para embarque em agosto no Porto de Paranaguá a US$ 95,00/tonelada. A empresa não confirma a venda.
Além da Coamo, outras cooperativas do Paraná têm exportado milho. O Rio Grande do Sul e Santa Catarina também exportaram alguns lotes. Os dados mais recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados pela FNP Consultoria, mostram que o Brasil exportou 55.605 toneladas de milho em janeiro. ‘‘Do exportado em janeiro, o Paraná respondeu por 99% do total. Pequena quantidade de milho foi vendida por Santa Catarina e Rio Grande do Sul’’, disse Sologuren. Ele acredita também que parte do volume de milho exportado em janeiro pode ter sido de grãos produzidos na safrinha.

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