O Brasil, que já foi o segundo produtor mundial de algodão, se prepara para ser novamente exportador, depois de 10 anos de oferta insuficiente para abastecer o mercado interno, informou ontem a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). Apesar da produção nacional ainda ser inferior à demanda das indústrias, os resultados deste ano superaram as expectativas. Serão colhidas 700 mil toneladas de algodão e importadas 250 mil. Como o consumo interno é de 850 mil toneladas, sobrarão 100 mil.
Graças a este excedente, pequenas quantidades de algodão já foram vendidas ‘‘de forma experimental’’ à Índia, China, Bolívia e ‘‘para que, quando houver um volume maior, o produto brasileiro já seja conhecido no mercado internacional’’, explicou João Luiz Pessa, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Segundo ele, a produção de 2001 será suficiente para atender à demanda interna. Não obstante, as importações continuarão existindo, já que não há dinheiro suficiente para armazenar algodão, nem ‘‘mentalidade de vendas futuras entre os produtores, que precisam vender rapidamente’’, disse Pessa.
Segundo cifras da Abit, as exportações do setor têxtil brasileiro chegarão a US$ 1,4 bilhão este ano, 30% superior ao do ano passado. O faturamento anual será de US$ 22 bilhões e gerados cerca de 30 mil empregos no setor, que está em expansão. De 1999 a 2002 serão criados 600 mil postos, do cultivo de algodão até as confecções. A indústria têxtil perdeu o mesmo número de postos de trabalho a partir do início dos anos 90. A desvalorização do Real, em janeiro de 1999, mudou esta tendência e deu ao setor mais e melhores condições de competir com os produtos importados.

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