Brasília - Depois de ter reduzido a aplicação em títulos dos EUA desde a piora na crise internacional, o Brasil voltou a investir o dinheiro das reservas internacionais em papéis do governo norte-americano.
De acordo com dados divulgados ontem pelo Departamento de Tesouro dos EUA, o Brasil comprou, em junho, US$ 12,7 bilhões em títulos da maior economia do mundo. Isso representa um aumento de 10% em relação ao estoque desses papéis nas mãos do governo brasileiro em maio.
Entre o final de agosto de 2008 (duas semanas antes da quebra do Lehman Brothers) e 30 de maio, o Brasil havia reduzido em R$ 25,5 bilhões o investimento nesses papéis. A compra de junho representa quase metade desse valor.
Na semana passada, o Banco Central informou que o país havia aproveitado as turbulências no final do ano passado para aumentar os investimentos em papéis de agências internacionais, que estavam pagando taxas mais atrativas que os títulos de países como os EUA.
China
O Brasil é hoje o quarto maior detentor de títulos do governo dos EUA (US$ 139,8 bilhões), atrás apenas de China (US$ 776 bilhões), Japão (US$ 712 bilhões) e Reino Unido (US$ 214 bilhões).
As reservas totais do país estão hoje, de acordo com o Banco Central do Brasil, em US$ 213,6 bilhões. Apesar de a maior parte do dinheiro estar aplicado em títulos dos EUA, há também depósitos em instituições multilaterais (FMI, Banco Mundial), outros bancos centrais e ouro, entre outros investimentos.
No mês passado, a China foi o país que mais reduziu sua aplicação em títulos dos EUA. Foram vendidos US$ 25 bilhões. O Japão comprou US$ 34,6 bilhões, e o Reino Unido, US$ 50,2 bilhões.

Entenda o economês
Título - Documento que certifica a propriedade de um bem ou de um valor. O termo se aplica genericamente a todos os valores mobiliários. Distinguem-se dois tipos de títulos: os títulos comerciais (letra de câmbio, nota promissória, duplicata), que se caracterizam pelo prazo de vencimento relativamente curto e pelo direito que têm seus portadores de receber em moeda corrente as importância por eles representadas; e os títulos de renda (ações, debêntures, títulos de dívida pública), de vencimento a prazo longo e cujos portadores têm direito a receber rendimentos por eles produzidos. Quando contêm o nome e o domicílio do proprietário chamam-se títulos nominativos; quando o proprietário não é designado chamam-se títulos ao portador e podem ser livremente negociados, independentemente de qualquer ato escrito ou endosso.

mockup