São Paulo – O Ministério da Agricultura vê ainda um longo caminho até o Brasil decidir se vai ou não recorrer da sobretaxa imposta pelos Estados Unidos ao suco de laranja. Segundo o diretor da Secretaria de Relações Internacionais, Ricardo Cotta, ‘‘no momento não há demanda pelo setor para esse tipo de fato [entrar com recurso na OMC (Organização Mundial do Comércio)].’’
  Na quarta-feira, a comissão Internacional de Comércio (ITC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos acatou a recomendação do governo americano que sugeria a aplicação de uma sobretaxa de até 60,29% à importação de suco de laranja do Brasil.
  A ITC aprovou a determinação do Departamento de Comércio americano, que concluiu que o suco de laranja brasileiro é vendido para os Estados Unidos por um preço menor do que o valor justo, o que caracterizaria a prática de dumping.
  De acordo com Cotta, o mercado americano representa apenas 11% das exportações de suco brasileiras e pode não preocupar produtores brasileiros. ‘‘O grande mercado é a Europa, com 71,5% das exportações.’’
  Além disso, diz o secretário, o governo brasileiro precisa ainda avaliar os estudos técnicos da comissão americana antes de tomar qualquer decisão. Ele lembra ainda que a iniciativa privada é quem deve capitanear o pedido. ‘‘Talvez eles não tenham tanto interesse assim.’’
  A decisão americana é o resultado de uma investigação iniciada em 2004 a pedido dos produtores de laranja da Flórida, que reclamavam dos prejuízos enfrentados pela indústria local com a importação do suco brasileiro a um preço mais baixo.

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