Brasil vai reter café para elevar o preço
ESTRATÉGIA Brasil vai reter café para elevar o preço Um acordo com a Colômbia prevê a estocagem de pelo meno seis milhões de sacas. A meta aumentar as cotações para cerca de US$ 180/saca Agência Estado De Salvador Pelo menos seis milhões de sacas de café devem ser retidas pelo Brasil e Colômbia (os dois maiores produtores mundiais) nos próximos meses para fazer o preço subir dos atuais US$ 105,00 por saca de 60 quilos para os níveis históricos que giravam em torno de US$ 180,00. O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Cézar Samico, disse ontem em Salvador, ao participar da abertura do 2º Agrocafé (Simpósio Nacional de Agronegócio) que num prazo máximo de três semanas representantes do Brasil e Colômbia devem se reunir em Londres, na sede da Associação dos Países Produtores de Café, para fechar o programa que será colocado em prática ainda nesse primeiro semestre. Samico argumentou que o preço baixo do café foi provocado artificialmente, devido ao México ter desovado recentemente seu estoque de 1,5 milhão de sacas no mercado mundial. Isso ocorreu num momento em que a Colômbia anunciou uma quebra de safra de 4 milhões de sacas e o Brasil de mais de dez milhões de sacas. Por essa razão, os países produtores estão se mobilizando para traçar estratégia comum visando recompor e estabilizar o preço internacional, através da diminuição da oferta. Segundo Samico, o Brasil dispõe de R$ 500 milhões para financiar o programa de retenção, desviando o café que seria oferecido para o Exterior para o mercado interno. Essa estratégia já vai ser refletida no leilão mensal de café do estoque regulador que o governo realizará no dia 23. Vamos oferecer apenas 100 mil sacas, contra as 180 mil que leiloávamos nos meses anteriores, disse. Sobre os altos juros bancários que prejudicam a lavoura cafeeira no Brasil, Samico revelou que o governo vai incentivar a captação de recursos baratos através da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Nós isentamos de imposto, agora, as aplicações na BM&F e queremos que esses recursos de baixo custo de captação sejam usados no financiamento da lavoura, declarou. Presente ao Agrocafé, o governador César Borges (PFL) anunciou a abertura de uma nova frente de batalha na guerra fiscal que a Bahia trava com outros Estados para atrair investimentos: amplos incentivos à lavoura cafeeira. Além de bancar a metade dos encargos bancários de empréstimos bancários durante os anos de carência para as novas lavouras de café, o governo vai oferecer terras baratas na região oeste e realizar obras de infra-estrutura para possibilitar o escoamento da produção. A meta é implantar 300 mil ha de lavoura irrigada.





