Brasil vai perdoar dívidas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de setembro de 2000
Clóvis Rossi Agência Folha De Praga 
O Brasil vai entrar com US$ 2,1 bilhões no pacote internacional de perdão da dívida de países pobres, em fase de conclusão no FMI (Fundo Monetário Internacional) e no Bird. Parte desse total já foi perdoado, como nos casos de Moçambique (95% de US$ 450 milhões) e Nicarágua (95% de cerca de US$ 200 milhões).
O restante virá agora, assim que for fechado o pacote de auxílio ao que o jargão internacional chama de HIPCs (Países Pobres Altamente Endividados). Há uma certa ironia no fato de que setores da sociedade brasileira promovam um plebiscito para consultar a população sobre o não-pagamento da dívida externa, ao mesmo tempo em que o governo perdoa a dívida de outros países.
De todo modo, o perdão virá com certa má vontade. Em geral, não somos favoráveis ao perdão por si só, porque não resolve o problema central, que é a reinserção dos países pobres na economia internacional, diz Marcos Caramuru, assessor internacional do Ministério da Fazenda.
Há, no perdão brasileiro às dívidas dos outros, uma segunda ironia: a maior fatia envolvida no perdão foi com a Polônia, devedora de cerca de US$ 3 bilhões. Hoje, a Polônia tem melhor conceito que o Brasil, segundo as agências internacionais de avaliação de risco.
Caramuru informa que o Brasil ficou satisfeito com algumas mudanças a ser anunciadas em Praga na sistemática de empréstimos do Fundo. Na essência, trata-se de reduzir os prazos de certos tipos de empréstimos e/ou de aumentar o custo deles, se um país demorar para pagar.
Outro tema das conversas de Malan foi o desejo brasileiro de mudar o sistema de cotas do Fundo Monetário Internacional, de forma a permitir um aumento da participação do país. Com mais cotas, o Brasil teria direito a mais recursos do Fundo e, também, mais votos. O novo critério, se for aprovado, valorizará o tamanho da economia de um país (o seu PIB, Produto Interno Bruto) na alocação de cotas, o que, em tese, permitirá que o Brasil eleve sua participação de 1,2% para 1,9%.


