Brasil vai importar energia argentina
Carmem Murara
Os acionistas da Companhia Paranaense de Energia (Copel) aprovaram ontem, em assembléia geral extraordinária, o início do processo de importação de energia elétrica da Argentina. A compra será feita a partir de meados de 2001 pelo consórcio Ciem, que é formado pela empresa espanhola Endesa (60%) e pela Copel (40%). O contrato para importação de energia argentina é o primeiro fechado no País garantindo o abastecimento energético para toda a Região Sul.
O consórcio poderá comprar 2 mil megawatts de energia para revender no Brasil. A Eletrobrás já assinou contrato com a Ciem para ficar com mil megawatts deste total, sendo que o restante poderá ser comercializado com as companhias energéticas da Região Sul. A Copel ainda não definiu a quantidade de energia elétrica que poderá adquirir da Ciem. A companhia fará a compra e venda de energia pela Tradener - empresa formada para comercializar o produto para outras companhias.
O presidente da Copel, Ingo Hubert (foto) afirmou que para viabilizar a importação de energia argentina será necessário construir as linhas de transmissão a partir da fronteira dos dois países. As obras serão feitas a toque de caixa, com previsão para iniciar nos próximos três ou quatro meses. Abriremos licitação pública para que sejam feitas as linhas de transmissão que começam no município de Santo Antônio do Sudoeste e vão até a usina de Salto Caxias, afirmou. Serão cerca de 300 quilômetros de linhas, que terão um custo para a Copel entre R$ 6 milhões e R$ 7 milhões. Parte do investimento será financiado pelo Finel, que é uma linha específica de financiamento para o setor de energia elétrica.
Hubert afirmou ainda que para o Paraná e para o País a compra de energia da Argentina poderá representar uma redução de custos. Hoje, a energia comercializada no país vizinho é 15% mais barata que o produto gerado nas hidrelétricas brasileiras. Desde que houve a privatização na Argentina, a energia elétrica baixou de US$ 50 para US$ 25 o megawatt/hora, afirmou o presidente da Copel. Ele disse que no Brasil o megawatt/hora tem um custo de US$ 35.
UsinaAlém da importação de energia da Argentina, a assembléia dos acionistas aprovou a construção da usina hidrelétrica de Foz do Chopim 2, na região Sudoeste do Estado, a partir de outubro deste ano. A meta é construir a hidrelétrica num prazo de dois anos. A Copel entra no projeto com uma participação acionária de 49%, enquanto a construtora D.M detém os outros 51%. Foz do Chopim 2 custará R$ 25 milhões e vai gerar 26 mil megawatts de energia.





