Brasil vai copiar lei americana para soja
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de junho de 2004
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília - A legislação a ser adotada pelo Brasil para a mistura de sementes tratadas com fungicidas em lotes de soja ''será uma das mais rigorosas do mundo''. A informação foi dada ontem pelo governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, que confirmou que o Ministério da Agricultura deverá publicar hoje instrução normativa fixando o nível de mistura em três sementes por quilo de soja, a exemplo da legislação americana. Rigotto reuniu-se na tarde de ontem com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.
''A tendência é o padrão americano, o padrão internacional. Ele (Rodrigues) acha que o Brasil não tem como não seguir aquilo que acontece no comércio americano'', disse o governador.
O ministério continua investigando a mistura de soja com sementes, prática que levou a China a suspender a compra de oito empresas e a rechaçar 239 mil toneladas de soja brasileira. A maior parte dos lotes recusados saiu do porto gaúcho de Rio Grande.
''Se houve erro, temos que investigar e punir. Mas não podemos deixar que todo o setor seja condenado, como está acontecendo agora, inclusive pela queda de preços'', afirmou Rigotto, citando a possibilidade de guerra comercial.
A recusa da China em receber carregamentos de soja brasileira pode ter sido influenciada por fatores comerciais, avaliou Rigotto, de forma cautelosa. ''Essa é uma opinião pessoal, mas pode haver uma guerra comercial ou uma tentativa de derrubar os preços no mercado internacional'', disse.
A exemplo do que pensa o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, o governador disse que a publicação de instrução normativa com regras claras para soja vai pôr fim ao impasse comercial com a China. ''A instrução normativa dará tranquilidade aos importadores e aos exportadores. Ela põe um fim nesse cenário de intraquilidade'', afirmou.
O presidente da Abiove, que também reuniu-se com Rodrigues, disse estar otimista e que, ''sanados os pequenos problemas, a China continuará comprando a soja brasileira''. Ele classificou o problema como cíclico, pois os chineses tinham interesse numa queda dos preços.
A China é o maior mercado da soja brasileira e consome 20% das exportações nacionais. Em 2003 foram 20 milhões de toneladas. Para o governador gaúcho, ''não tem lógica'' a proposta da China de adotar a ''tolerância zero'' na mistura de sementes tratadas com fungicidas. ''Acredito que é uma questão de entendimento. Não tem lógica ter um padrão diferente do resto do mundo. O governo brasileiro quer um padrão internacional'', afirmou.


