O Brasil deve recorrer navemente, esta semana, à Organização Mundial do Comércio (OMC) com dados sobre a carga de susbídios norte-americanos à produção e comercialização da soja daquele país. No documento serão apresentados dados sobre levantamentos que revelam a concessão de subsídios e outras medidas protecionistas.
Na semana passada, o ministro ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, voltou a denunciar as distorções causadas pelo protecionismo norte-americano. Ele informou que os produtores brasileiros de soja deixaram de ganhar neste ano US$ 1,2 bilhão por conta de subsídios que o governo americano concedeu aos seus sojicultores. Ao falar no painel sobre agricultura durante o seminário internacional ''Brasil e a Alca'', realizado no auditório Nereu Ramos, da Câmara de Deputados, o ministro disse que o governo dos Estados Unidos concede subsídio de US$ 1,26 por buschel de soja. Com isso, os produtores americanos exportam o bushel do produto por US$ 4,00, quando deveriam exportar por US$ 5,16.
A consequência é a redução do preço da soja no mercado externo, o que impede que o Brasil - segundo maior produtor mundial desse setor - consiga competir em condições de igualdade com seus concorrentes internacionais.
No ano passado, os Estados Unidos concederam US$ 31,3 bilhões em subsídios a sua agricultura. Desse total, US$ 22 bilhões foram pagos diretamente aos produtores, informou. Diante dessa situação, Pratini disse que o governo deve lutar para que os países ricos se comprometam em reduzir seus subsídios, seja nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) ou nas da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Essa questão, salientou, também deve ser colocada pelo Mercosul nas discussões que vêm sendo feitas com a União Européia visando a assinatura de um acordo entre os dois blocos.
O ministro Pratini de Moraes também salientou que o governo espera que a redução dos subsídios à agricultura, assim como a eliminação de outras barreiras sejam incluídas nas próximas negociações internacionais para liberalização do comércio mundial. ''A política dos países ricos é a seguinte: reduzem a taxação das matérias-primas e impedem a entrada de produtos de maior valor agregado. Isso tem que mudar, sob pena de não ocorrerem as negociações da OMC e da Alca'', advertiu.
Como exemplo, ele disse que o Brasil é o maior exportador mundial de café, mas não consegue usufruir as vantagens que esta posição poderia lhe proporcionar. Disse que a Alemanha não produz café, mas aparece como o terceiro maior exportador mundial. Ou seja: ''A Alemanha compra nossa matéria-prima, moe, torra, industrializa e exporta por um valor 10 a 30 vezes mais alto.''
Pratini também observou que, enquanto uma saca de café custa US$ 35 no mercado internacional - um dos menores preços dos últimos 30 anos - um cafezinho feito com café brasileiro é vendido por US$ 2,00 em Londres e US$ 3,00 em Nova York. Isso significa que eles obtêm um faturamento de US$ 10 mil com a venda de cinco mil cafezinhos em Londres e de US$ 15 mil em Nova York, ressaltou.

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