Brasil vai à OMC contra barreiras
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quinta-feira, 12 de junho de 1997
Reali Júnior Agência Estado PARIS 
ArquivoO frango brasileiro, apesar de competitivo, enfrenta barreiras da União EuropéiaO governo brasileiro entrou ontem em Genebra com um pedido de panel de arbitragem junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), acusando a União Européia de práticas que ferem as normas do comércio internacional e que têm prejudicado suas exportações de carne de frango. A decisão foi tomada depois do fracasso das negociações convocadas através de dois pedidos formais de consulta junto à OMC. Para que o pedido fosse incluído na pauta da reunião do órgão de solução de controvérsias, marcada para o dia 25, o governo tinha prazo para entrar com a documentação até ontem.
Os negociadores brasileiros garantem que o pedido de arbitragem nada tem a ver com a possibilidade de a UE entrar com um pedido semelhante, acusando o Brasil por seu sistema automotivo. Os europeus limitaram-se a um pedido de consultas formais, cuja primeira reunião ocorreu na quarta-feira, sem resultados positivos. A União Européia deverá voltar a manifestar-se dentro de 15 dias, após uma análise das propostas brasileiras, e antes de uma nova rodada de negociações.
A OMC aceitou ontem o pedido de panel apresentado pela UE e Japão contra a política automotiva da Indonésia, após a constatação de que duas reuniões de consultas formais não deram em nada, nos meses de novembro e dezembro. A UE considera que os dois sistemas automotivos, o do Brasil e o da Indonésia, revelam distorções, incluindo incentivos acoplados em investimentos com alto grau de proteção para o mercado doméstico. Além disso, acusam práticas discriminatórias que permitem às empresas que já investiram no País importar seus produtos em condições especiais.
O embaixador Jório Dauster, negociador junto à Comissão Européia em Bruxelas, argumenta que existem diferenças fundamentais entre os dois sistemas. O regime brasileiro sempre foi aberto a todo mundo, enquanto o chamado Programa do Carro Nacional da Indonésia trata de vantagens concedidas a uma única empresa nacional, pertencente à família do presidente Suharto. Por isso, o tratamento dos parceiros europeus é também diverso, e Dauster não acredita que o pedido de panel contra o Brasil seja iminente.
Tudo vai depender do resultado da revisão das cotas de importação dadas a cada país. O Brasil se dispõe a uma nova acomodação, o que será facilitado pela entrada recente no mercado brasileiro dos japoneses e coreanos. Dessa forma, as cotas da União Européia poderão ser recalculadas a partir do fim de julho, reduzindo as chances de um eventual pedido de arbitragem. O que o Brasil não aceita é alterar o total das cotas, mas nada impede de rever a distribuição atual.


