O governo brasileiro decidiu transferir para o Mercosul a tarefa de definir o destino da resolução argentina que prejudica as exportações brasileiras de bens de informática e telecomunicações, de bens de capital e de veículos para aquele mercado. A iniciativa responde ao esforço do governo de caracterizar o conflito como puramente comercial. Mas também tem o objetivo de impedir que a discussão seja sepultada pelo caos da economia argentina.
O Grupo Mercado Comum (GMC), que reúne os principais negociadores dos quatro países do Mercosul, encontrou-se ontem em Montevidéu, em caráter extraordinário, para tratar da resolução argentina 258/01 e também da decisão do Paraguai de aplicar uma sobretaxa de 10% para uma lista de 300 produtos, inclusive os provenientes de seus sócios no bloco (leia mais na página 3). Os diplomatas brasileiros chegaram à reunião com o orientação de reafirmar a preocupação do Brasil com essas iniciativas, que ferem a essência do Mercosul.
Conforme uma fonte do governo, a gravidade da crise argentina impede que a questão seja resolvida bilateralmente. Não existem, neste momento, conversas entre os dois países sobre o assunto. Do lado do governo brasileiro, entretanto, o trabalho de construção de um ‘‘arsenal’’ para futuras negociações sobre a resolução continua em andamento. A equipe do Ministério do Desenvolvimento, por exemplo, identificou interesses indiretos de empresas argentinas que estariam sendo prejudicados pela resolução. O trabalho ainda tem o objetivo de verificar o exato momento em que cada item começará a sofrer prejuízos no mercado argentino, por causa da resolução, e qual o volume de exportações atingido.

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