Brasília - O governo brasileiro disse que recorrerá a "todas as ações necessárias" para preservar seus direitos e interesses após o presidente Donald Trump assinar decreto impondo sobretaxas na importação de aço e alumínio. "Ao mesmo tempo em que manifesta preferência pela via do diálogo e da parceria, o Brasil reafirma que recorrerá a todas as ações necessárias, nos âmbitos bilateral e multilateral, para preservar seus direitos e interesses", afirma nota assinada pelos ministérios do MDIC (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e de Relações Exteriores.
Na nota, o governo afirma que as medidas causarão graves prejuízos às exportações brasileiras e terão "significativo" impacto negativo nas relações comerciais e de investimentos entre os dois países.
Trump assinou o decreto impondo tarifas de 25% sobre a impostação de aço e de 10% sobre a de alumínio, em uma cerimônia na Casa Branca nesta quinta-feira (8). A tarifação entrará em vigor em 15 dias e não vale para o México e para o Canadá, que negociam com Washington uma revisão do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta na sigla em inglês).
Ao lado do vice-presidente, Mike Pence; do secretário de Comércio, Wilbur Ross; do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin e de trabalhadores metalúrgicos, Trump disse que a medida está sendo tomada para proteger a indústria americana. "Hoje eu estou defendendo a segurança nacional ao impor tarifas sobre aço e alumínio", disse. "A indústria de aço é vital para a economia; se você não tem aço, você não tem um país", acrescentou.
O presidente observou que "os países que nos tratam bem serão tratados com justiça", sugerindo que negociações poderão ser feitas caso a caso. Ele citou a competição injusta da indústria metalúrgica da China, da Índia e do Japão, que tarifam produtos americanos e fabricam automóveis baratos que prejudicam montadoras americanas, aproveitando-se de vantagens injustas.
Como sempre, o líder americano reclamou dos déficits comerciais que seu país amarga com outras nações e disse que essa situação terá um fim. "Nós só queremos justiça". "Queremos acordos que sejam justos e recíprocos", afirmou.

FRUSTRAÇÃO
O decreto foi um balde de água fria nas esperanças do governo brasileiro, que ainda tentava excluir o Brasil da lista de países atingidos pela medida. Desde o início das investigações pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, no início de 2017, o Brasil e as siderúrgicas nacionais tiveram sucessivas reuniões em que reiteraram que os produtos brasileiros não representam riscos à indústria norte-americana e são complementares à indústria daquele país, já que 80% das exportações são insumos semiacabados. Além disso, o Brasil é o maior importador de carvão siderúrgico dos Estados Unidos, utilizado, justamente, para produzir o aço exportado para os norte-americanos.

DISCORDÂNCIA
A decisão de Trump divide os norte-americanos, inclusive dentro de seu partido, o Republicano. O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, o republicano Paul Ryan, criticou a imposição da tarifação das importações de aço e alumínio. "Eu estou em discordância com esta ação e preocupado com as consequências irracionais. Eu espero que o presidente inclua na exceção os aliados americanos, mas vou além. Continuarei a pedir que a administração volte atrás dessa política e focar somente naqueles países que violam a lei comercial, como a China", afirmou Ryan.

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