Brasil teve superávit recorde nas contas externas de 2004
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2005
Ney Hayashi<br>Folhapress 
Brasília - O Brasil obteve um resultado recorde nas contas externas no ano passado. A conta de transações correntes - que inclui todos os bens e serviços negociados com outros países - apresentou um saldo positivo de US$ 11,669 bilhões, o maior desde que essa estatística passou a ser calculada, em 1947. O número é fruto, em boa parte, do desempenho da balança comercial, que também teve um superávit recorde. No ano passado, as exportações brasileiras superaram as importações em US$ 33,693 bilhões.
As transações correntes são formadas pela soma de três outras contas: a balança comercial (exportações menos importações), a balança de serviços e rendas (pagamento de juros da dívida externa, remessas de lucros e gastos com viagens internacionais, entre outros itens) e as transferências unilaterais (dinheiro enviado ao Brasil por residentes no exterior, e vice-versa).
Só em nove dos últimos 58 anos o Brasil teve saldo positivo em transações correntes. O resultado costuma ser negativo porque dificilmente o país consegue um saldo na balança comercial que compense os elevados gastos com os juros da dívida externa. ''O importante é que esse resultado foi acompanhado de crescimento econômico'', disse Luiz Malan, chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, ao anunciar os números.
Para Marcelo Salomon, economista-chefe do Unibanco, o saldo recorde nas transações correntes deve ser visto como um fator positivo, pois colabora para reduzir a vulnerabilidade externa do Brasil - quando se registra déficit, o país passa a depender de empréstimos e investimentos externos para financiar o desequilíbrio. ''A dor continua existindo, mas é menor do que foi no passado'', afirma Salomon. Para ele, o Brasil continua vulnerável a crises, mas num grau menor do que alguns anos atrás.
Para este ano, a expectativa, tanto do governo quanto do setor privado, é que a conta de transações correntes se mantenha positiva. Para o BC, o saldo deve encerrar 2005 próximo do zero, podendo chegar a um pequeno superávit. Pesquisa feita pelo próprio BC com analistas mostra que a expectativa do mercado é de um superávit de US$ 3 bilhões.
Apesar do saldo recorde alcançado pelas transações correntes, as contas externas brasileiras ainda mostram alguns pontos negativos. O principal deles é o desequilíbrio na chamada conta de rendas, que inclui as remessas de lucros e os pagamentos de juros ao exterior. Em 2004, as multinacionais instaladas no Brasil enviaram para fora do País US$ 7,338 bilhões em dividendos, valor 30% maior do que o registrado em 2003.
Para Malan, esse movimento é consequência da retomada do crescimento, o que teria elevado os ganhos das empresas. Os pagamentos de juros da dívida externa, por sua vez, permaneceram elevados: US$ 13,364 bilhões em 2004, contra US$ 13,020 bilhões em 2003.


