Brasil teve pior participação desde 80
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 1997
Agência Folha 
Arquivo FolhaVendas fracasO Brasil embarcou em 96 apenas 0,85% do total exportado no mundoBRASÍLIA - As vendas externas brasileiras registraram em 96 sua pior participação no comércio mundial desde 80, pelo menos. Em 96, as exportações brasileiras representaram apenas 0,858% do total exportado no mundo, US$ 5,558 trilhões. No ano, o País exportou US$ 47,7 bilhões. Em 1980, a participação brasileira era de 1,055%. As exportações totalizaram naquele ano US$ 20,002 bilhões. Esses dados foram divulgados ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), com base nas informações da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
O volume das exportações mundiais cresceu quase 200% de 80 a 96, enquanto as exportações brasileiras cresceram 138%. Com isso, a participação brasileira no comércio mundial caiu 0,19 ponto percentual nos últimos 16 anos. Nesse período, o pico das vendas externas brasileiras em relação ao mercado ocorreu em 84, com 1,499%.
Custos O boletim de avaliação da CNI mostra que fatores estruturais, como os elevados custos da produção no País, são a principal dificuldade para o crescimento das vendas externas.
Outra obstáculo para o fraco desempenho das exportações é a expressiva participação de produtos com baixo valor agregado. Nos últimos sete anos, segundo a CNI, cerca de 43% do valor exportado pelo Brasil está concentrado em produtos básicos e semimanufaturados. Isso significa que há uma importante participação de produtos de menor valor agregado.
Restrições A CNI não espera uma reversão desse comportamento no curto prazo. Embora reconheça a ação do governo para aumentar a competitividade do setor exportador, a entidade quer ainda outras mudanças. As medidas de incentivo às exportações precisam ser complementadas e aprofundadas para que se consiga remover os fatores que têm impedido uma expansão consistente das exportações brasileiras, diz o texto.
As restrições de alguns mercados também são apontadas como desestimuladoras pelo comércio externo brasileiro. No Japão, por exemplo, a tarifa média de importação é elevada e há restrições para a compra de carne bovina industrializada, café, açúcar, fumo e calçados.


