Brasil terá US$ 1,1 bi do FMI
Agência Estado
De Brasília
O Brasil vai sacar os recursos de US$ 1,114 bilhão do Fundo Monetário Internacional (FMI) referente a parcelas remanescentes do pacote de ajuda concedido no final do ano passado e que foram colocadas à disposição do País desde aquela época. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro decidiu pagar, este mês, US$ 5,142 bilhões aos credores do pacote de emergência e desse total US$ 1,969 bilhão serão pagos ao próprio FMI. Segundo explicou o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, o Brasil está trocando dinheiro caro e de curto prazo por recursos mais baratos.
Os pagamentos, que incluem ainda US$ 3,173 bilhões em recursos do Banco para Compensações Internacionais (BIS) e do Banco do Japão (BOJ) só terão impacto sobre as reservas internacionais brutas do País. De acordo com Gleizer, estas reservas cairão de US$ 42 bilhões para US$ 37,9 bilhões. As reservas líquidas, porém, não serão afetadas, pois o dinheiro do FMI, do BIS e do BOJ não integram estas reservas. O diretor garantiu que o poder de fogo do Banco Central para fazer intervenções no mercado e combater oscilações no dólar, no entanto, não é afetado pelos pagamentos. Este mês, segundo ele, o BC dispõe de US$ 3,9 bilhões.
Gleizer explicou que o Brasil decidiu sacar os US$ 1,114 bilhão do FMI porque neste processo de transição a economia brasileira precisa de financiamento. O dinheiro deverá ingressar no Brasil na terça-feira enquanto o pagamento de US$ 1,969 bilhão ao Fundo será feito no dia 14. O pagamento ao BIS e ao BOJ ocorrerá no dia 20. Além dos US$ 5,142 bilhões, o Brasil também pagará até o final do ano US$ 1,807 bilhão em juros a credores externos. Estes recursos impactam as reservas líquidas. Serão US$ 178,9 milhões ao BIS e ao BOJ enquanto a diferença inclui outros credores, como o Clube de Paris.
O diretor disse que, enquanto o dinheiro a ser pago ao FMI é de uma linha emergencial do Fundo e, portanto, tem encargos maiores, os recursos que serão sacados são de uma linha mais barata.
O anúncio do saque dos recursos e dos pagamentos foi feito hoje ao longo da entrevista marcada pelo governo para divulgar o memorando técnico referente à quarta revisão do acordo com o FMI. A maior novidade da renegociação foi a inclusão do programa de metas de inflação dentre as medidas que têm que ser cumpridas pelo País. Segundo explicou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, as metas são uma nova cláusula no acordo com o Fundo e substituíram as metas para o Crédito Doméstico Líquido (CDL).





