Brasil terá uma das maiores cargas tributária do mundo em 2027
Cálculo recente do TCU para a CBS colocou o setor produtivo em alerta; especialistas destacam que simulação de impactos e revisão estratégica de custos devem ser feitas de imediato
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de novembro de 2026
Cálculo recente do TCU para a CBS colocou o setor produtivo em alerta; especialistas destacam que simulação de impactos e revisão estratégica de custos devem ser feitas de imediato
Sescap - LDR 

A Reforma Tributária deixou definitivamente os livros da teoria para se tornar realidade operacional e financeira no dia a dia das empresas brasileiras. O sinal de alerta acendeu com força na última semana, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) projetou a alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em 11,3% — percentual superior aos 9% especulados inicialmente pelo mercado.
Com a estimativa de 18,7% para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a alíquota somada sobre o consumo pode alcançar a marca de 30%, posicionando o Brasil entre as cargas mais elevadas do mundo. O Senado Federal tem até dezembro para fixar o percentual federal; caso contrário, o índice apurado pelo TCU passará a vigorar de forma automática a partir de 1º de janeiro de 2027.
Embora o sistema prevê o abatimento de créditos sobre insumos adquiridos, o impacto final dependerá da estrutura de cada setor. Indústrias tendem a se beneficiar do aproveitamento de créditos na cadeia produtiva, enquanto o setor de serviços — cuja principal despesa é a folha de pagamento, que não gera crédito — corre o risco de ver a carga tributária efetiva aumentar.
A indefinição sobre esses prazos da Reforma Tributária exige atenção redobrada também das micro e pequenas empresas. A principal dúvida envolve optar por recolher o IBS e a CBS fora da guia do Simples Nacional, escolha que afeta diretamente a competitividade.
"Quem cobra planejamento das empresas precisa dar a elas tempo para decidir. Em outubro, a Receita já registrava mais de um milhão de contribuintes que haviam optado por recolher os novos tributos fora da guia do Simples. Eles podem cancelar a opção até 20 de dezembro. Se o Senado fixar a alíquota de referência da CBS no limite do dia 15, teremos apenas cinco dias, com o percentual em mãos, para reavaliar com os clientes uma escolha que valerá pelos primeiros seis meses de 2027", enfatiza o empresário contábil e diretor do SESCAP-LDR, Junior Mafra.
Segundo Mafra, quem mantiver os novos tributos no Simples pode sentir o impacto dos dois lados do balcão. "Se fornecedores repassarem custos, a empresa pagará mais sem descontar o IBS e a CBS das compras. Já na venda a um cliente do regime regular, o crédito dele ficará limitado aos tributos devidos no Simples naquela operação, fazendo com que duas propostas de mesmo preço tenham custos finais diferentes", acrescenta.
De acordo com especialistas na área Tributária, a fase atual exige segurança jurídica e leitura detalhada dos contratos de longo prazo antes da entrada em vigor das novas regras.
"Alíquota alta não significa necessariamente aumento de carga para todos, mas expõe quem não se preparou. O momento de mapear a cadeia de fornecedores, incluir cláusulas de reajuste tributário em contratos de longo prazo e avaliar a governança fiscal é agora. Deixar para entender o impacto direto na margem na primeira apuração de 2027 trará prejuízos irreversíveis e risco de contencioso", alerta o advogado tributarista associado do SESCAP-LDR, Henrique Gomes.
Do ponto de vista operacional e contábil, a orientação para os gestores é abandonar a ideia de que a mudança se resume a um mero ajuste de software ou de emissão de notas fiscais.
"A contabilidade não vai resolver a Reforma Tributária em dezembro de 2026. Estamos falando de simular a carga real da operação hoje, revisando precificação, margem de lucro e competitividade. Cada empresa terá um resultado diferente: enquanto um concorrente ganha fôlego ao aproveitar créditos, o outro pode ver sua margem corroída se não reestruturar seus custos desde já", destaca o advogado.
Na prática, o novo modelo tributário reconfigura os preços ao consumidor: enquanto bens manufaturados e a cesta básica isenta tendem a estabilizar, serviços cotidianos (escolas, academias, salões e autônomos) e itens sujeitos ao Imposto Seletivo ficarão mais caros, exigindo reorganização do orçamento familiar.
Embora a transição vá até 2033, o prazo de reação para o primeiro ciclo expira em poucos meses — e quem liderar a adaptação fiscal sairá à frente.
Fonte: Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e de Serviços Contábeis de Londrina e Região (SESCAP-LDR)


