Brasília - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, deixou claro ontem que o Brasil será ''mais agressivo'' nas negociações e nas disputas comerciais e se tornará ''mais aberto'' no comércio internacional, desde que esse objetivo não atenda apenas aos interesses dos países mais ricos. Embora possam ser direcionadas às três grandes negociações que envolvem o Brasil, as declarações tiveram como alvo certeiro a União Européia (UE). Foram feitas logo depois de Palocci ter conversado durante cerca de uma hora com o comissário europeu para o Comércio, Pascal Lamy, a quem teve o cuidado de acompanhar até a porta do seu ministério.
''O Brasil quer ser, na área de comércio exterior, bastante ofensivo e até agressivo, no bom sentido da palavra'', afirmou o ministro. ''As relações com a União Européia são muito importantes para nós. Temos dito que queremos que essas relações sejam, de fato, abertas. Mas elas não podem ser abertas somente no que interessa aos países ricos. Eles (a União Européia) são extremamente protecionistas'', disse o ministro.
Palocci rebateu as recentes declarações de Lamy de que 90% dos produtos europeus sofrem barreiras não-tarifárias para ingressar no Brasil ao afirmar que essas restrições são ''incomparáveis'' ao protecionismo praticado pelos países mais ricos, em especial os europeus.
O ministro explicou ainda que o Brasil deverá iniciar ''disputas para valer'' na Organização Mundial do Comércio (OMC). Um caso que deverá ser encaminhado para o mecanismo de solução de controvérsias da organização nos próximos meses será justamente contra os subsídios da União Européia para o setor açucareiro - benefício que barra o acesso do produto brasileiro e causa perdas em outros mercados.
O próprio Lamy reconheceu que o novo governo brasileiro assumiu um ''compromisso real'' com a liberalização comercial. Em boa medida, afirmou, essa decisão atende a metas da agenda interna do País: a redução da pobreza e o aumento do emprego exigem a formação de uma base exportadora mais forte. Para ele, os encontros com as autoridades brasileiras lhe permitiram ter a certeza de que o novo governo manterá os compromissos para as negociações do Mercosul com a União Européia e da Rodada Doha da OMC, definidas pela administração anterior.

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