Brasil terá pior resultado em 7 anos na balança comercial
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segunda-feira, 02 de fevereiro de 2009
Jamil Chade, correspondente<br>Agência Estado 
Genebra - O Brasil terá em 2009 o pior resultado em sua balança comercial em sete anos. A avaliação é do Instituto de Finanças Internacionais, que aponta que o ano marcará uma reversão na tendência de acúmulo de superávit no País. Em apenas três anos, a importação aumentou em mais de US$ 100 bilhões no Brasil. A entrada de produtos importados no Brasil se multiplicou por quatro em apenas uma década e, em 2009, irá pela primeira vez superar a marca de US$ 200 bilhões de dólares.
Dados obtidos pelo Grupo Estado apontam para uma previsto de que, em 20 anos, as importações ao Brasil se multiplicaram por dez. Passaram de US$ 18 bilhões em 1989 para uma estimativa de mais de US$ US$ 205 bilhões neste ano. Em apenas um ano, o Brasil importará US$ 30 bilhões a mais.
Os dados apontam para uma queda real do superávit comercial do País em 2009, passando para US$ 17,6 bilhões, o menor desde 2002. Em apenas três anos, o superávit foi reduzido para um terço do que era em 2006.
Os dados do poderoso instituto que reúne os maiores bancos do mundo admitem que as exportações brasileiras vão continuar se expandindo. Mas em um ritmo bem mais lento. A taxa de expansão cairá de 23% para apenas 8% neste ano. Ja as importações continuarão a subir em 12% neste ano de crise mundial.
Pelo menos dois fatores estão envolvidos nesse cenário. De um lado, o Brasil terá um dificuldade cada vez maior de exportar, já que as maiores economias estão em recessão e indicadores da OCDE já apontam que Estados Unidos, Europa e Japão já estão importando menos. Outro impacto será a dos preços das commodities, que sofreram uma queda nos últimos meses.
Pressão
Em Davos, na sede da Organização Mundial do Comércio, em Genebra ou em qualquer sede de governo, o tema comercial ganha nova relevância diante da crise. Numa conversa neste fim de semana, o chanceler Celso Amorim deixou claro à comissária de Comércio da UE, Catherine Ashton, que será difícil resistir à pressão da indústria do Mercosul por proteção se europeus e outros governos também não tomarem medidas para evitar novas barreiras.
Amorim, depois da polêmica causada pela tentativa do governo de dificultar as importações, vendeu a Ashton a decisão do Brasil de evitar barreiras como um sinal de que o Itamaraty fará parte do grupo que pressionará contra medidas protecionistas. A comissária respondeu que seu governo também vem sofrendo duras pressões internas para sair em defesa da indústria nacional e citou o caso dos protestos na Inglaterra.
A manifestação começou em uma refinaria que prometia empregos para imigrantes italianos e portugueses. O caso se transformou em um ato de resistência dos ingleses por maior proteção em uma economia em recessão. Amorim concordou que as pressões são grandes, mas alertou que no Mercosul elas também existem.
A Europa, em apenas uma semana, tomou duas decisões polêmicas. Adotou novas barreiras contra produtos chineses para o setor automotivo e de máquinas, além de voltar a dar subsídios agrícolas para as exportações.


