‘‘O Brasil e o FMI poderiam assinar o acordo na semana que vem e o empréstimo seria de US$ 30 bilhões’’, disse ontem Stanley Fischer, vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), ao participar em Buenos Aires da conferência anual da Associação Econômica Latino-americana e do Caribe, na Universidade Torcuato Di Tella. Fischer disse que estará hoje no Brasil.
Ele admitiu que a passagem pelo Brasil será mais do que uma escala técnica na viagem de retorno a Washington. Ele deve se encontrar com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, no Rio. ‘‘Não finalizamos ainda o acordo com o Brasil, mas estamos fazendo um bom progresso’’, disse ele.
Fischer elogiou o trabalho da equipe econômica brasileira, definindo o acordo entre o Fundo e o Brasil como ‘‘pouco usual’’, já que neste caso o design do programa foi feito pelos próprios brasileiros. ‘‘Eles estão informando o FMI de cada ponto que preparam’’, comentou.
Fischer disse que ainda não chegaram a um ponto de dizer ‘‘esta cláusula está mal’’ ou ‘‘esta cláusula é incorreta’’. Além disso, ele sustentou que supreendeu-se ao perceber que ‘‘existe um elevado grau de precisão nas colocações brasileiras’’ e que ‘‘se aproximam da realidade’’.
O vice-diretor disse que o empréstimo do FMI e organismos de cooperação ao Brasil seria de US$ 30 bilhões. ‘‘No entanto, ainda não chegamos a uma decisão final de onde viria esse dinheiro. Mas esse será o valor provisório em torno do qual será estipulado o valor definitivo.’’
Fischer afirmou que a decisão do Congresso dos Estados Unidos de contribuir com mais recursos dificilmente poderá modificar a quantia de dinheiro que o FMI está disposto a fornecer para o Brasil’’. A parcela específica do FMI na ajuda será de US$ 15 bilhões.
O número de US$ 30 bilhões de empréstimo total não é definitivo, disse Fischer. Ele afirmou que esse valor foi apresentado pelo Brasil. ‘‘Quem contribuirá com metade do empréstimo é algo que ainda não foi definido. E a razão pela qual isto ainda não foi concluído é porque estamos esperando para ver exatamente como será o programa. Só então poderemos ver quanto financiamento seria adequado. Mas antes temos que ver o que o governo brasileiro pretende fazer’’, sustentou Fischer.
O vice-diretor do FMI disse que as negociações são feitas diariamente através do telefone, fax e dos representantes brasileiros nos Estados Unidos, ‘‘o que significa que dia a dia elas vão avançando’’. Fischer negou-se a falar sobre qual seria o prazo do empréstimo ao Brasil e que taxas de juros seriam aplicadas. Um dos assessores de Fischer afirmou que ‘‘o tempo e as taxas são uma combinação de elementos’’ que só serão divulgados quando o programa estiver ‘‘na mão’’.

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