A redução da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul em 3 pontos percentuais, segundo afirmou o ministro da Agricultura e Abastecimento, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, não deverá ser concretizada na próxima reunião dos países integrantes do Mercosul, em Florianópolis, nesta quinta e sexta-feira. ‘‘Temos uma proposta em duas partes: a primeira é a não-eliminação dos 3% da TEC que deviam ser reduzidos. Adicionalmente a isso, nós queremos propor aos demais países a elevação de alíquotas de alguns produtos que recebem elevados subsídios dos países produtores. O exemplo mais típico são os produtos lácteos’’, afirmou Pratini.
Outros produtos passíveis de elevação nas suas alíquotas segundo o ministro, já teriam seus problemas resolvidos com a não eliminação dos 3% da TEC.
Por sua vez, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alcides Tápias, reafirmou ontem no Rio que já foi decidida a posição do governo brasileiro sobre a TEC do Mercosul. ‘‘O Brasil, exceto para bens de capital não produzidos no Mercosul, não baixará a TEC em três pontos porcentuais’’, afirmou o ministro. Ele participou de cerimônia na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes).
Na reunião do Mercosul está em pauta a redução da Tarifa Externa Comum (TEC) em 3%. Isto porque a TEC, atualmente em média de 14%, foi elevada em três pontos percentuais após a desvalorização cambial brasileira, em 99. Voltaria, portanto, aos patamares anteriores, de 11%, em média. ‘‘A agricultura brasileira não precisa de subsídios. O problema são os subsídios que existem lá fora e as barreiras tarifárias e não-tarifárias’’ afirmou o ministro.
Chile Sobre as negociações entre o Chile e os EUA, o ministro da Agricultura considerou previsível em função da redução do crescimento dos países do Mercosul decorrente da crise argentina. ‘‘Não acho que seja um problema para nós porque, como o Chile é membro da ALADI (Asociação Latino-Americana para Integração), todas as concessões do Chile para os Estados Unidos terão que estender-se para nós’’, afirmou Pratini. Para a agricultura, a negociação com o Chile não representa entraves.
‘‘O Chile é um mercado pequeno, que depende muito da exportação do cobre, mas o cobre está perdendo espaço no mercado internacional para as fibras óticas. E o mercado americano pode ser mais interessante para o Chile’’.
Pratini de Moraes respondeu ironicamente à crítica do sub-chefe do Escritório de Comércio da Casa Branca, Richard Fisher, de que a oposição do Brasil às negociações comerciais entre Chile e Estados Unidos seria infantil. ‘‘Acho que depois dessa eleição nos Estados Unidos não tem nenhum americano que nos possa chamar de infantil’’, respondeu o ministro.
Safra A safra agrícola de 2001 deverá ultrapassar em 8% a deste ano - já recorde - e chegar a 90 milhões de toneladas. O ministro Pratini de Moraes fez este cálculo com base na primeira pesquisa de intenção de plantio, cujo resultado apresentou crescimento de 1 milhão de hectares da área plantada no ano que vem, caso sejam mantidos os níveis de produtividade.
As expectativas para o mercado agropecuário são boas, segundo o ministro, com crescimento das exportações, não somente das commodities, mas também dos produtos de maior valor agregado como carnes, frutas e pescados. Além disso, ele acredita que, após a quebra das cotações das commodities em 2000, aconteça uma melhora ou, pelo menos, uma estabilização dos preços.
Site O ministro anunciou ontem a criação de portal na Internet reunindo todos os sites ligados à agricultura das três esferas do governo, cuja operação começa ainda este ano. Neste site também estarão disponíveis cotações de todos os produtos agropecuários e informações meteorológicas, a partir do ano que vem. ‘‘Na verdade, não é criar um site novo, mas incorporar sites existentes e ampliar o número de informações sobre mercados e produtos que ainda não são objeto de informações na Internet’’, afirmou o ministro, que participou ontem do 3º Congresso de Agribusiness - O Futuro do Agribusiness na Nova Economia: Impacto da Internet.

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