Brasil tenta abrir mercado na China
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quarta-feira, 27 de março de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Desde que começou a abrir seu mercado, no final dos anos 70, a China já atraiu 360 mil empresas estrangeiras para seu território. O movimento aumentou depois que ficou praticamente certa a entrada do país na Organização Mundial de Comércio (OMC), em 1999. Mas a participação do Brasil no investimento direto estrangeiro que chegou à China é tão pequena - apenas cinco empresas - que nem aparece nas estatísticas do Banco Central.
Em abril, no entanto, a situação pode começar a mudar. Ao mesmo tempo em que o ministro Sérgio Amaral, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, lidera uma comitiva de empresários ao gigante asiático, entre os dias 1º e 5 de abril a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China realiza a Brazil-China Trade Fair, primeira feira de negócios entre os dois países depois de 18 anos. Participarão do evento cerca de 120 empresas brasileiras.
Do Brasil, até agora só estão na China a Embraco (única que tem linha de produção no país), a Vale do Rio Doce (escritório), a Embraer (escritório de representação e depósito de peças), a Sadia (churrascaria) e o escritório Noronha Advogados. Mas a Marcopolo, a Fundição Tupy, os cafeicultores e uma empresa produtora de tubos para gasoduto (que prefere não ser identificada) estão em busca de oportunidades para investir no país de maior crescimento econômico do planeta - ritmo médio de 9% nos últimos 20 anos.
No setor automobilístico, as montadoras vêm aumentando suas vendas para a China, o que representa para os fabricantes brasileiros de autopeças a conquista de novos mercados e até a possibilidade de investimentos com sócios locais para produção.
A Embraco investiu US$ 25 milhões na China entre 1995 e 1998 para consolidar sua parceria com o grupo Snowflake, que atua no setor de eletrodomésticos. Da associação surgiu a Beijing Embraco Snowflake Compressor Company, na qual 55,23% do capital pertencem à empresa brasileira. A companhia produz 1,7 milhão de compressores e emprega mil pessoas na China.
A Embraer, maior exportadora brasileira, já investiu US$ 5 milhões na China na instalação de um escritório de representação, em maio de 2000, e na formação de um centro de distribuição de peças, inaugurado em março. O centro funciona em parceria com a China Aviation Supplies Import and Export Corporation. A Embraer vendeu cinco jatos ERJ 145 à Sichuan Airlines, ao preço médio de US$ 18,5 milhões. Há 20 ordens firmes e 10 opções.
A Sadia, que não exporta para a China, instalou em abril de 1994 a churrascaria Beijing-Brasil, em parceria com a chinesa Sky Dragon. A empresa investiu US$ 720 mil na parceria, na expectativa de que Brasil e China chegassem a um acordo fitossanitário que permitisse a importação de frango brasileiro.
A Vale do Rio Doce também firmou parceria comercial e societária com a maior siderúrgica chinesa, a Shangai Baosteel Company, para criar no Brasil a Baovale Mineração. Pelo acordo, vão aumentar as exportações da Vale para a China. Em 2000, a Vale vendeu para os chineses 9,2 milhões de toneladas de minério de ferro, alta de 8% em relação a 1999. No ano passado, segundo a empresa, até setembro foram 11,5 milhões de toneladas. A operação trará receita aproximada de US$ 2 bilhões para a Vale nos próximos anos.
Depois de quatro anos atendendo a clientes chineses, a Noronha Advogados inaugurou, em junho do ano passado, o primeiro escritório de advocacia brasileiro e latino-americano na China, em Xangai.


