Brasil teme restrição dos EUA a aço
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de junho de 2001
Agência EstadoDe Brasília 
O governo federal está preocupado com as possíveis medidas que poderão ser anunciadas pelos Estados Unidos, restringindo ainda mais as exportações de aço para aquele país. Ontem o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, divulgou nota informando que o secretário de Comércio americano, Donald Evans, disse a ele que o presidente George Bush prometeu enfrentar práticas desleais de comércio de modo agressivo.
Bush determinou na quarta-feira que a Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (ITC), inicie uma investigação para verificar se as exportações de aço aos Estados Unidos causam dano ao setor siderúrgico americano. Segundo Tápias, a decisão pode provocar novas medidas protecionistas.
De acordo com o ministro, outras formas de restrição ao comércio afetarão negativamente a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e a proposta do lançamento de uma nova rodada de negociações multilaterais da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O governo, porém, segundo o Itamaraty, não pode fazer nada além de esperar que as investigações, que devem durar de três a quatro meses, sejam concluídas.
Na opinião do principal negociador brasileiro, embaixador José Alfredo Graça Lima, o presidente americano antecipou-se às medidas que já seriam tomadas pelos democratas, mais ligados aos sindicatos, no Congresso americano, para ter controle da situação. O presidente Clinton conseguiou resistir, de certa forma, a essa pressão, mas Bush está tendo de enfrentar o Congresso, disse. Mas o embaixador também disse estar preocupado com o que poderá ocorrer com o comércio de aço com os Estados Unidos, depois de encerrada a investigação.
Segundo Graça Lima, a OMC recomenda que países cuja participação nas importações de um determinado setor é pequena não sejam alvos de salvaguardas (sobretaxas ou cotas para limitar o comércio e proteger a indústria local). É o caso do Brasil, cujas exportações de aço representam menos de 2% de tudo o que os Estados Unidos importam de produtos siderúrgicos.
No início do ano passado, o ITC derrubou uma alegação de que havia dumping nas exportações brasileiras de laminados a frio, o que impediu que o governo americano estabelecesse cotas para a exportação desse produto, a exemplo do que já ocorre com as placas de aço laminados a quente.


