Bruxelas – O Comitê permanente da cadeia alimentar e saúde animal da União Européia (UE) começou ontem a segunda fase de análises dos cereais contaminados por nitrofen, encontrados na Alemanha e na França. A Bélgica suspendeu ontem a medida unilateral adotada, três dias atrás, de controle sistemático de animais, cereais e alimentos à base de cereais provenientes da Alemanha.
Fontes diplomáticas brasileiras afirmaram à Agência Estado que acompanham de perto a crise alemã, temendo maior rigor comunitário para importações de frango de terceiros países.
O comitê decidiu anteontem, depois de relatório apresentado pelos alemães, não adotar nenhuma medida comunitária específica contra a Alemanha. Os representantes alemães apresentaram à Comissão Européia (CE) um relatório detalhado sobre a gestão da crise do nitrofen, um herbicida cancerígeno proibido pela UE.
Para a Comissão, a origem da contaminação pelo pesticida proibido foi ‘‘claramente identificada’’ pela Alemanha, e por isso, considerou não ser necessária a adoção de medidas adicionais. As autoridades alemães identificaram um produtor em Malchin (nordeste da Alemanha) como a origem da contaminação, mas para garantir a ‘‘segurança dos consumidores’’, segundo a Comissão, decidiram fechar 73 granjas.
O escândalo de contaminação por nitrofen chegou ao grande público no dia 24 de maio e partiu da descoberta de aves-bio alemães contaminadas.
A partir da denúncia alemã, um moinho na Alsácia, nordeste da França, alertou as autoridades que havia importado e introduzido na cadeia alimentar francesa, em janeiro, seis toneladas de trigo alemão, que teriam tido contato com o herbicida cancerígeno nitrofen.
Por conta destas outras denúncias, a posição da Comissão é de continuar os testes nas amostras denunciadas, apesar de ter considerado ‘‘suficiente’’ as medidas adotadas pela Alemanha.
O Brasil sempre está atento aos problemas que mais uma vez colocam em evidência a credibilidade das regras sanitárias na Europa. Fontes diplomáticas acreditam que, para justificar um erro interno, a UE possa ser mais rigorosa com produtos provenientes de outros países.
O caso mais recente foi o do nitrofurano, um medicamento permitido em níveis controlados no Brasil até mês passado e atualmente proibido. Uma medida tomada depois que três lotes de frango brasileiro com resíduos do antibiótico foram apreendidos na Irlanda do norte e na Holanda.
De acordo com fontes brasileiras, o nitrofurano só pôde ser detectado porque a UE havia mudado, sem aviso prévio, o rigor dos testes aplicados aos produtos importados.
O Brasil é um forte exportador de frango para o mercado comunitário, sendo a UE um dos principais parceiros comerciais. Em 2001, o Brasil alcançou números de negócios que o colocaram no ranking mundial como o segundo exportador de carne de frango, com uma fatia no mercado internacional de 18%.
Na UE, os maiores importadores do filé de frango brasileiro são o Reino Unido, a Holanda e a Alemanha –esta última é responsável por mais da metade das compras.

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