Brasília - O Brasil teme uma nova crise no Mercosul depois das declarações do presidente uruguaio, Jorge Batlle, a um canal de televisão, acusando políticos argentinos de ‘‘ladrões’’.
A imprensa econômica brasileira fez ontem um amplo comentário dessas declarações e adverte das consequências que poderiam ter não só nas relações Buenos Aires-Montevidéu, mas também que introduzem um elemento de tensão a mais no bloco comercial, integrado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Para a dilpomacia brasileira, as declarações de Batlle foram ‘‘no mínimo infelizes’’. Batlle, que assegurou que era uma conversa informal com o repórter da agência Bloomberg News, disse que ‘‘em 2001, a situação na Argentina era um problema dos argentinos, um bando de ladrões, do primeiro ao último’’.
Também disse do presidente argentino, Eduardo Duhalde, que ele não tem apoio político nem ‘‘sabe para onde vai’’.
Batlle foi ontem a Buenos Aires pedir desculpas a seu colega argentino.
Faz tempo que o Brasil está preocupado com a situação entre seus três sócios do bloco, que será um dos principais assuntos da cúpula prevista para os dias 4 e 5 de julho em Buenos Aires. Brasília assumirá então a presidência temporária do bloco durante o tempo em que espera reativá-lo.
Faz tempo que o Uruguai está descontente com os rumos do bloco comercial. Batlle quer liberdade para negocial diretamente acordos comerciais, em particular com os Estados Unidos, para amenizar a recessão que sofre há quatro anos.
Nos últimos dez anos, a integração proporcionou ao Uruguai um crescimento de 40% para sua economia, mas a desvalorização do real brasileiro em janeiro de 1999, a epidemia de febre aftosa que afetou boa parte de seu rebanho bovino, assim como a profunda crise econômica da Argentina, afetaram negativamente a economia uruguaia.

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