O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, informou ontem que vai se reunir amanhã com os técnicos do Serviço de Controle Sanitário e Agroalimentar da Argentina (Senasa). Só então, o governo definirá quais providências adotar para se proteger contra um possível surto de febre aftosa procedente daquele país.
Desde junho, estão proibidas as importações de gado vivo e material de reprodução (sêmen e embriões) das províncias de Corrientes, Entre Rios e Formosa, nas quais foi registrada a presença do vírus. Mas, se as informações a serem fornecidas pelo Senasa não forem convincentes, o Brasil poderá proibir a entrada de carne com osso, gado em pé e material de reprodução de toda a Argentina. Apenas a carne sem osso maturada, que não apresenta risco de contágio, nessas circunstâncias, continuará liberada.
Luiz Carlos de Oliveira explicou que a reunião com os técnicos do Senasa - antes de o governo brasileiro fechar a fronteira com a Argentina - faz parte de um acordo feito no ano passado entre os ministros da Agricultura do Mercosul. ‘‘Não queremos tomar nenhuma medida açodada antes de dar a chance do outro país se defender. Não queremos fazer o que o Canadá fez com o Brasil ao suspender as importações de carnes’’, observou Oliveira.
Oliveira explicou que a reunião com os técnicos do Senasa foi solicitada porque as autoridades brasileiras ficaram preocupadas com o relatório feito por uma equipe de veterinários do Ministério que esteve visitando a Argentina entre os dias 29 de janeiro e o último dia 8. O relato dos técnicos, segundo o secretário, indica que as informações são contraditórias com relação a existência ou não de aftosa na Argentina, especialmente nas três províncias onde já foi detectado problema no ano passado.
Na ocasião, as autoridades argentinas afirmaram que não havia a doença, e que os animais eram apenas soropositivos importados do Paraguai. Por medida de precaução, no entanto, acabaram matando os cerca de três mil animais que poderiam estar doentes.
Os veterinários brasileiros constataram que existem muitas questões com relação ao controle da doença que ainda não foram respondidas pela Argentina. Além disso, a Argentina não seguiu as recomendações do Comitê Internacional de Epizootias (OIE) - que delibera sobre a sanidade animal mundial - na realização do inquérito soroepidemiológico feito no final do ano passado.

mockup