A juíza Neide Akiko Fugivala Pedroso, que participou da mesa redonda, foi enfática ao associar o desenvolvimento do País a uma melhor distribuição de renda. ''Por que o Brasil tem tanta terra e tanta riqueza e não consegue ser um País desenvolvido?'', perguntou.
Ela fez um breve retrospecto das relações de trabalho no Brasil, lembrando desde o período da escravidão, passando pela vinda dos imigrantes para substituir a mão de obra escrava nas lavouras, até o processo de industrialização, quando surgiu a necessidade de leis para regulamentar as relações entre trabalho e capital. ''E neste contexto, a Justiça do Trabalho nasceu para solucionar conflitos'', disse.
A juíza criticou o modelo econômico praticado no Brasil, voltado para a exportação e a concentração de rendas, e apontou uma alternativa. ''A melhor forma de distribuir a riqueza é a remuneração pelo trabalho; não se pode admitir que apenas um lado tenha lucro''.
Ela também considera inadimissível que um País igual ao Brasil tenha um verdadeiro exército de desempregados. ''Não se justifica tanto desemprego. É preciso rever que tipo de relação a gente quer para a nossa sociedade''. E argumentou que ''o objetivo de toda economia é promover o bem-estar das pessoas''.
De acordo com a juíza, o Brasil ainda tem resquícios do trabalho escravo e citou como exemplo a situação dos trabalhadores domésticos. Com base em números da Organização Internacional do Trabalho, ela disse que esta categoria tem o maior número de empregados no Brasil, totalizando 6,6 milhões de trabalhadores, dos quais 94% são mulheres.
A juíza Emília Simeão Albino Sako disse que uma lei criada há dois anos equiparou os direitos dos empregados domésticos com outras categorias, mas sem muito efeito porque o cumprimento de tais direitos é facultativo. Para ela, a equiparação é necessária, mas também deve ser obrigatória.
Ela acha inconcebível, por exemplo, que a mulher que trabalhe na indústria ou outros setores tenha direito à licença maternidade e outros direitos e a empregada doméstica não. ''As situações são iguais e porque uma tem direito e a outra não?'' A juíza considera que esta é uma forma de discriminação no trabalho.

mockup