São Paulo Apesar de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter encerrado no mês passado o ciclo de alta da taxa Selic, fixada em 19,75% ao ano, o juro real do Brasil continua em alta e ocupa com folga a liderança do ranking mundial. Levantamento da consultoria GRC Visão mostra que a taxa brasileira descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses alcançou 14,1% ao ano, quase três vezes o juro de 5,1% do segundo colocado, a Hungria.
No mês passado, a taxa do Brasil estava em 13,9% e já era a maior do mundo. O aumento de 0,2 ponto porcentual, mesmo com a estabilidade da taxa nominal, deve-se exclusivamente à queda da projeção da inflação para os próximos 12 meses, de 5,11% para 4,97%, afirma o economista da GRC Visão, Alex Agostini. A manutenção da Selic, esperada pelo mercado na reunião do Copom, que começou ontem e termina hoje, não deve alterar os juros reais do País.
Segundo ele, trata-se de uma situação crítica. ''Além da taxa extremamente alta, o País ainda conta com a instabilidade política, o que afasta os investimentos. Com um juro real de 14,1%, as empresas preferem investir no mercado financeiro a expandir a produção'', argumenta. ''Novos investimentos, somente de companhias exportadoras, que não sofrem tanto com o ambiente doméstico.''
Em setembro, quando o Copom iniciou o ciclo de aperto monetário para conter a inflação, os juros reais do Brasil estavam em 9,5%. De lá pra cá, a taxa só subiu. Enquanto isso, a Turquia, que já ocupou a liderança do ranking, pegou o caminho inverso e já caiu para a terceira colocação, com uma taxa de 4,7% ao ano.
Agostini destaca que, em um ano, a Turquia reduziu os juros nominais de 22% para 14,3% e a inflação de 9,6% para 8,8%. O Brasil não só disparou na liderança dos maiores juros reais do mundo como ficou distante também das médias das demais economias mundiais. De acordo com o estudo da GRC Visão, os juros reais médios dos 40 países analisados estão em 1,3%. No caso dos juros reais dos países desenvolvidos a taxa é de 0,7% e dos países emergentes, 2,1%. No ranking das maiores taxas nominais de juros, o Brasil também é líder, com uma Selic de 19,75% ao ano. Em segundo lugar está a Venezuela (17%) e, em terceiro, a Turquia, 14,3%.
A expecatativa da consultoria é que na reunião de agosto já haja um corte na Selic. Agostini afirma que, tecnicamente, haveria espaço para um corte já nesta reunião. Mas com tantas incertezas políticas a tendência é de que o BC mantenha mais uma vez o conservadorismo.

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