Rio de Janeiro - O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 0,2% em 2009, o primeiro resultado negativo desde 1992, sob o impacto da crise financeira internacional. Apesar da queda, o resultado foi o quarto melhor entre os 20 países da América e da Europa que já anunciaram o desempenho de suas economias no ano passado e, entre os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o País superou o desempenho da Rússia. Além disso, segundo economistas, houve forte desempenho da economia no quatro trimestre do ano passado, garantindo um crescimento (carry over) de pelo menos de 2,7% a 3% em 2010 mesmo se a economia fique estagnada. Na segunda-feira passada, a mediana das projeções de mercado estava em 5,50%.
''O mais provável é que o mercado revise para cima suas projeções para o PIB em 2010'', disse o economista da MCM, Antonio Madeira, para quem os dados divulgados ontem, também pelo IBGE, sobre as vendas no varejo, mostram que a atividade está muito longe da estagnação. Ao contrário, o ritmo de recuperação nos primeiros meses mostra-se forte e, o que é mais importante, sustentado por fundamentos como mercado de trabalho e renda, e não mais por estímulos fiscais. Ele aposta num carry over de 3% no ano. Já o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, já começa o ano projetando um crescimento de 2,7% para o encerramento do exercício, que também constatou ser esta herança estatística a maior já registrada no País desde a passagem 1994 para 1995. Naquele momento, o carryover chegou a 6%.
Segundo a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, os investimentos foram os principais responsáveis pela variação negativa do PIB. Ela fez uma abertura dos dados do PIB do ano passado, em termos de contribuições pelo lado da demanda, mostrando que os investimentos e os baixos estoques derrubaram a economia.
Os investimentos, ou Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), caíram 9,9% em relação a 2008. A taxa de investimento (FBCF/PIB) total de 2009 ficou em 16,7% ante 18,7% em 2008. A taxa de investimento do ano passado foi a menor desde 2006, quando ela ficou em 16,4%. A formação bruta de capital fixo é constituída principalmente por máquinas e equipamentos e pela construção civil.
Já atividade da indústria teve queda de 5,5%, a agropecuária recuou 5,2%, enquanto o setor de serviços cresceu 2,6%. Mas o consumo das famílias subiu 4,1% e, do governo, 3,7%. ''A queda dos investimentos foi o principal fator responsável pela queda do PIB, além da variação dos estoques, que caíram porque a produção da indústria diminuiu, apesar do aumento do consumo das famílias'', explicou Rebeca.
Para a queda de 0,2% do PIB, a demanda interna contribuiu com -0,3 ponto porcentual, apesar da contribuição positiva do consumo das famílias (2,4 ponto porcentual) e do consumo do governo (0,7 pp). Ainda do lado da demanda interna, a FBCF teve uma contribuição negativa no dado final do PIB de -1,9 pp, enquanto a variação de estoques contribuiu, também negativamente, com -1,6 pp.
O setor externo, por sua vez, deu a primeira contribuição positiva para o PIB desde 2005, com 0,1 pp em 2009. Em 2009, as exportações tiveram queda de 10,3% em relação a 2008. Já as importações caíram 11,4%. Segundo Rebeca, as contas abertas do PIB pelas contribuições não fecha exatamente em 0,2% porque houve arredondamentos e o objetivo é mostrar as principais influências, em termos da demanda, na composição da taxa.
Juros
O economista da MCM destaca que, mais importante do que a expansão do PIB em si, é o fato de o crescimento ter sido sustentado, no segundo semestre de 2009, pelos investimentos. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 6,60% no quarto trimestre na margem e 6,30% no terceiro trimestre ante o segundo. ''Isso é bom, porque indica que haverá expansão da capacidade produtiva lá na frente'', afirma.
O resultado vigoroso das vendas no varejo, de 2,70% em janeiro ante dezembro, é mais um dado positivo sobre o crescimento da atividade. E reforça, em sua opinião, a expectativa de aumento de juros no curto prazo, em março ou em abril. Mais forte do que o mercado esperava, essa expansão foi balanceada entre os diferentes segmentos, mostrando que a recuperação já não depende mais dos estímulos do governo.

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