São Paulo - A conta de transações correntes do Brasil com o exterior registrou, no primeiro trimestre do ano, um superávit de US$ 82 milhões. Esse é o primeiro resultado positivo das contas externas para o primeiro trimestre do ano desde 1994, quando as transações correntes do País foram positivas em US$ 332 milhões.
A conta de transações correntes vem sendo beneficiada pelo saldo da balança comercial, que no trimestre acumulou um superávit de US$ 3,763 bilhões, e pela menor pressão de gastos na conta de serviços e rendas, que no período registrou déficit de US$ 4,297 bilhões.
Estão incluídas ainda nas transações correntes as transferências unilaterais, que são, por exemplo, as remessas enviadas pelos chamados dekasseguis ao Brasil. No primeiro trimestre, essas transferências somaram US$ 616 milhões.
Um exemplo de redução dos gastos na conta de serviços e rendas é a conta de viagens internacionais, que no trimestre registrou receita líquida de US$ 117 milhões, ante a despesa líquida de US$ 203 milhões apurada no mesmo período do ano passado. Isso significa que os brasileiros estão gastando menos em viagens internacionais do que o País está recebendo dos estrangeiros.
As despesas com transportes, que inclui as compras de passagens aéreas ao exterior, também caíram para US$ 401 milhões no período, contra US$ 518 milhões gastos no mesmo período de 2002.
Em março, a conta de transações correntes registrou superávit de US$ 116 milhões, contra o déficit de US$ 1,010 bilhão do mesmo mês do ano passado. No fluxo de 12 meses, terminados em março, o déficit em transações correntes é de US$ 4,347 bilhões, o equivalente a 0,96% do Produto Interno Bruto (PIB) .
Depois de apresentar um superávit de US$ 116 milhões, as transações correntes do País com o exterior deverão ficar deficitárias em abril em cerca de US$ 500 milhões.
A previsão foi feita ontem pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, que justificou o déficit como uma ''sazonalidade'.
É que nos meses de abril e outubro estão concentrados os pagamentos de juros das dívidas do País com o exterior e, por isso, o resultado das transações correntes é afetado negativamente.
Apesar do déficit, o número ainda é pequeno se comparado a abril de 2002, quando as transações correntes ficaram com um déficit de US$ 1,968 bilhão.
Segundo Lopes, não estão previstas mudanças significativas na conta de transações correntes nos próximos meses, ou seja, as contas externas do País deverão continuar apresentando melhora e um bom desempenho.
A previsão do governo é de que o déficit em transações correntes no ano todo fique em torno de US$ 4,6 bilhões, ante os US$ 7,696 bilhões de 2002. No entanto, Lopes admitiu que esse número também poderá ser revisado nos próximos meses.

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