Brasil tem maior spread bancário do mundo
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segunda-feira, 07 de agosto de 2006
Agência Estado 
Londres - Estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS) sobre sistemas bancários em países emergentes, divulgado ontem, afirma que o Brasil ''talvez seja o caso mais extremo de spreads altos'' cobrados sobre os empréstimos, em torno de 40%. Eles resultam da diferença entre os custos da captação do dinheiro pelos bancos e as taxas cobradas na concessão de seus empréstimos.
O segundo maior spread, conforme o levantamento do BIS, feito com base em números do Fundo Monetário Internacional (FMI) referentes ao final de 2004, é o praticado pelos bancos no Peru, em torno de 10%. Em contraste, o estudo do ''banco central dos bancos centrais'', mostra que uma série de países emergentes, como Argentina, Chile, China, Coréia do Sul, Malásia, têm spreads inferiores a 5%, comparáveis aos cobrados nos países ricos.
O chefe do departamento de assuntos dos mercados emergentes do BIS, Ramon Moreno, observou que a existência de margens de intermediação bancárias altas por períodos muito longos é um fator de preocupação em alguns países emergentes. ''As razões para a persistência de margens elevadas não são claras, mas podem incluir uma história de crises bancárias, falta de competitividade e regulamentações governamentais que podem favorecer certos setores'', disse.
Em outro capítulo do estudo, os economistas do BIS observam que os custos operacionais dos bancos são um fator importante na concessão de crédito bancário. ''Custos operacionais altos poderiam indicar ineficiências significativas no sistema bancário e uma estrutura de concessão de empréstimos rígida'', afirmaram.
Nesse quesito, o Brasil também é um destaque negativo, mesmo entre os vizinhos da América Latina, região que apresenta custos operacionais mais elevados do que nos bancos asiáticos. O BIS cita uma estimativa feita em 2004 pelo ex-diretor do Banco Central, Ilan Goldfajn, segundo o qual cerca de 45% do spread bancário no Brasil era decorrente dos riscos atribuídos pelas instituições financeiras e 40% pelos custos administrativos e impostos.


