A frota brasileira de veículos movidos a gás natural deve atingir 1 milhão de unidades em 2005. A aposta é de distribuidoras de gás e empresas especializadas na conversão de motores, animadas com o aumento do consumo do produto nos últimos meses, principalmente em razão da alta dos preços da gasolina, diesel e álcool.
O número de carros que utilizam o gás natural veicular (GNV) na cidade de São Paulo cresceu 70% em 2000, de acordo com informações do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Somente nos últimos três meses do ano, foram 1,8 mil registros. Atualmente, a frota soma cerca de 15 mil unidades em São Paulo e 70 mil veículos em todo o País.
Com o aumento do consumo, o segmento de GNV já é o que apresenta a maior taxa de crescimento nas vendas da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), que dobraram nos últimos 12 meses. A empresa, controlada pela British Gas e pela Shell, comercializou nos primeiros cinco meses do ano 20,5 milhões de metros cúbicos de gás para veículos, volume 95% superior ao do mesmo período de 99 (10,5 milhões de metros cúbicos). ‘‘Nossas vendas devem crescer 150% de 2000 para 2001’’, previu o superintendente de Serviços de Marketing da empresa, Peter Kilmister.
Para Mike Kesztenbaum, vice-presidente de produto da British Gas International, o GNV é o ‘‘combustível do futuro’’, principalmente em razão das vantagens econômicas e ambientais.
O produto, uma mistura de hidrocarbonetos leves e gases inertes, não é tóxico como o gás liquefeito de petróleo (GLP), ou gás de botijão. De acordo com especialistas do setor, a utilização do gás natural proporciona uma economia média de 60% para o consumidor e causa menor emissão de monóxido de carbono do que a gasolina comum. O preço de um litro de gasolina varia de R$ 1,50 a R$ 1,58, enquanto que o gás custa R$ 0,60 por metro cúbico e rende de 15% a 20% a mais por quilômetro rodado.
O pequeno número de postos que comercializam o produto, entretanto, continua sendo um dos principais obstáculos ao aumento do consumo do gás natural como combustível. No País todo, são 70 postos. A expectativa da Comgás é de que o número de postos em sua área de concessão chegue a 45 em 2001. ‘‘Acredito que teremos centenas de postos em no máximo cinco ou seis anos’’, aposta o gerente de projeto da Comgás, John Stavers. Ele prevê que a frota brasileira movida a gás – de aproximadamente 70 mil unidades – vai ultrapassar a da Argentina nos próximos anos. Naquele país, o número de veículos movidos a gás é superior a 400 mil unidades e equivale a 8% do total da frota.

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