Brasil tem ‘dívida preocupante’
Agência Folha
A Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe, organismo das Nações Unidas), elaborou relatório que inclui o Brasil em um grupo de 19 países da região com dívidas externas preocupantes. Segundo o documento, cuja integra será divulgada somente em junho, esses países possuem economias vulneráveis porque em 1995 sua dívida externa era maior do que em 1980, às vésperas da crise que atingiu a América Latina. ‘‘Um considerável número de economias da região se encontra em situação de maior vulnerabilidade que a existente pouco antes da crise de 1982’’, diz o documento da Cepal, que enfoca aspectos fiscais da América Latina e Caribe.
O principal critério usado pelo organismo é a comparação entre a dívida externa do setor público e a dívida externa total, que considera também o débito do setor privado. O Brasil entrou nessa lista porque, segundo dados do Banco Mundial, em 1995 o setor público respondia por 60,7% da dívida externa total. Em 1980, essa participação era menor: 57,9%.
Ao lado do Brasil, estão a Argentina, a Venezuela, a Colômbia e o Uruguai. Apenas seis países não registraram crescimento relativo do débito público - entre eles, o México, o Chile e o Paraguai. O documento também aponta outros dados que a Cepal considera preocupantes, como o aumento do endividamento externo. O Brasil, entretanto, não se encaixa nesse grupo, já que no período sua dívida pública externa foi reduzida.
Em 1995, ela equivalia a 12,9% do PIB (Produto Interno Bruto, total das riquezas produzidas no país), contra 17,1% do PIB em 1980. A Cepal aponta, porém, mudanças nos mercados internacionais que, teoricamente, poderiam atenuar os riscos de uma crise. O documento afirma que hoje as taxas de juros são menores e que o prazo da dívida é mais longo.
O estudo também deve ser entendido como uma fotografia da situação do Brasil em 1995. De lá para cá, o governo estimulou captações privadas, o que provocou queda no peso do débito público no total da dívida externa. Dados do Banco Central mostram que em março deste ano o setor público respondia por 47,19% da dívida externa total, contra 71,02% em dezembro de 1995.
Embora os dados do BC não sejam diretamente comparáveis aos da Cepal, pois usam metodologias diferentes, eles dão pistas sobre mudanças no endividamento externo - que, por outro lado, revelam aparente aumento da vulnerabilidade do País.
Em março deste ano, o débito externo atingiu o equivalente a 26,6% do PIB, percentual muito próximo dos 27% do PIB verificados em 1980. Em 1995, a relação era de 22,6% do PIB. O país aumentou seu endividamento externo no período por dois motivos: cobrir o déficit das contas externas e formar reservas em moeda estrangeiras para enfrentar crises como a asiática.

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