Brasil tem déficit na exportação de serviços
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segunda-feira, 28 de agosto de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Brasil ainda tem muito a aprimorar na área de exportação de serviços. No ano passado, o País exportou US$ 15 bilhões em serviços mas, em contrapartida importou US$ 24 bilhões, o que significa um déficit de US$ 9 bilhões. No Paraná, a situação não é diferente. O Estado exportou R$ 110 milhões e importou US$ 420 milhões.
O secretário de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Edson Lupatini Junior, disse que há algumas rações para o déficit que o País enfrenta na exportação de serviços. A primeira delas é a falta de cultura de exportação. Outro motivo seria o fato de estes recursos entrarem no Brasil e não serem computados de forma adequada.
''Muitas vezes estes recursos entram no Brasil e não são caracterizados como exportação de serviços'', Lupatini. De acordo com ele, há 153 sub-setores de serviços na Organização Mundial do Comércio (OMC) e apenas 35 são tratados como exportação de serviços pelo Banco do Brasil. ''A coleta dos dados não reflete o dimensionamento das exportações'', explicou.
De acordo com ele, os serviços profissionais representam 37,5% das exportações de serviços do Brasil. Nesta área, mais da metade das exportações são de projetos de engenharia, arquitetura e construção. A segunda área que mais exportou serviços em 2005 foi o segmento de viagens internacionais que ficou com 24% das exportações.
Por outro lado, o que o Brasil mais importa são serviços de transportes (20% do total das importações de serviços). Em transportes, o serviço mais importado é o marítimo. São US$ 6 bilhões em importações por ano. A segunda área mais importada é a de serviços profissionais, com 15% do total.
A gerente regional de comércio exterior do Banco do Brasil do Paraná, Teresinha Trentini Lang, destacou que o Brasil é o 7º país em crescimento nas exportações de serviços e teve o crescimento triplicado em relação à média mundial de 2005. Segundo ela, este não é um mérito apenas do Brasil mas dos países em desenvolvimento.
Teresinha comentou que o Brasil possui hoje 920 mil empresas no setor de serviços. Elas respondem por mais de 50% dos empregos formais do País. Hoje, 12 dos 20 maiores grupos privados do Brasil atuam no setor.
O coordenador de novos negócios da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Henrique Santos, disse que o Brasil tem apenas 0,6% de participação nas exportações mundiais de serviços. Segundo ele, o objetivo do encontro ''Exportação de Serviços - O que há de novo?'' promovido pela Fiep e pelo Banco do Brasil foi trazer informações para os empresários sobre o assunto. O evento aconteceu ontem em Curitiba.
A empresa Molins do Brasil, que atua na área de maquinário para a fabricação de cigarro, já exporta serviços há seis anos. Segundo a analista contábil da empresa, Cláudia Regina Cereta Gonçalves, a Molins exporta além das máquinas o conhecimento técnico para a montagem e utilização do equipamento para países como Argentina e Inglaterra. ''A nossa maior dificuldade é a rigidez das dadas para pagamento e recebimento no Banco do Brasil'', disse.


