Brasília - O Brasil só alcançará o desenvolvimento sustentável depois do equilíbrio interno do câmbio, com juros mais baixos e estabilidade no balanço de pagamentos A afirmação foi feita ontem pela economista Maria da Conceição Tavares, ao participar da 1 Conferência do Desenvolvimento (Code), promovida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
Segundo Conceição, não se deve esperar muito de grupos de países como o G7, porque cada um vai sempre querer resolver seus problemas internos sem uma visão para benefício mundial Por isso, disse ela, o Brasil tem de se preocupar consigo, mas levando em conta que ''políticas macroeconômicas não podem atrapalhar o desenvolvimento interno''
Na opinião da economista, a alta taxa de juros no Brasil atrai capital externo especulativo, ao mesmo tempo em que o real está mais valorizado do que as moedas dos 70 principais países Por isso, Conceição Tavares afirma que é preciso conter a entrada de recursos estrangeiros no país
Ela recomenda ainda o País a baixar lentamente a taxa de juros e a desvalorizar o real, por considerar que a proporção cambial do momento ''afeta a indústria, provocando desindustrialização e retraindo o crescimento econômico''
A economista mostra-se otimista em relação ao governo de Dilma Rousseff, afirmando que a presidenta eleita ''é corajosa e tem discernimento'' e que os brasileiros precisam pedir a Deus proteção coletiva, e não individual
Ela defende um trabalho voltado para o equilíbrio na política fiscal, sem deixar de lado a prática de uma política de universalização da saúde e da educação Ao empresariado ela sugere que aproveite os juros baixos no exterior e compre financiado e recomenda à área econômica atenção tanto com a inflação de custo quanto com a de demanda
Sobre a economia global, Conceição Tavares destaca que o mundo está numa ''situação econômica preocupante'', enquanto o Brasil e a China ''arrumam a casa'' Ela vê com pessimismo a situação de alguns países europeus, que ''têm muito deficit em suas contas e altas taxas de desemprego''
Conceição ressalta que o Banco Europeu luta para controlar a moeda do bloco (euro), mas sem a contribuição do Banco Central alemão, que está fora, por ter uma visão muito conservadora ao lidar com a conjuntura Para a economista, a Europa terá dificuldade de executar uma política anticíclica no quadro atual, desencadeado com a quebra dos bancos no final de 2008

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