Brasil tem de repensar modelo
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quarta-feira, 13 de novembro de 2002
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba O Brasil só deve fechar acordos e ingressar em projetos comuns de mercado com outros países após ter certeza de que não terá consequências negativas tanto para as empresas e indústrias brasileiras como para a população. É esta a opinião da maioria dos professores, economistas e especialistas na área de mercado que participam desde segunda-feira do seminário ''Internacionalização Produtiva e Financeira e o Desenvolvimento Regional'', que termina hoje em Curitiba.
Promovido pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), e dirigido ao público acadêmico e técnicos de órgãos que atuam na elaboração de políticas públicas do governo, o objetivo do seminário, de acordo com a diretora de pesquisas do Ipardes, Sieglinde Kaindl da Cunha, é repensar questões que possam subsidiar a elaboração de políticas de planejamento do governo, como a integração do mercado nacional, a internacionalização e, principalmente, o Paraná dentro deste contexto.
O professor Clélio Campolina Diniz, da Universidade Federal de Minas Gerais, que falou sobre Desenvolvimento Regional foi incisivo ao afirmar que para ingressar com sucesso em um projeto de internacionalização da economia o Brasil precisa, primeiro, fortalecer sua integração nacional nas áreas econômica, política e social. ''Isso significa recuperar setores excluídos da sociedade para dentro do seu processo produtivo'', disse.
Questionado sobre a adesão do Brasil à Associação para o Livre Comércio das Américas (Alca), Diniz defendeu uma política multilateral, onde o Brasil tenha mais estabilidade e menos dependência dos Estados Unidos, ao contrário do modelo adotado pelo México. ''Não sou contra políticas de integração, mas uma dependência exagerada dos Estados Unidos é preocupante'', afirmou.
Opinião semelhante tem o economista e professor Mariano Laplane da Universidade de Campinas (Unicamp), que falou sobre o impacto da internacionalização produtiva e a integração dos mercados financeiros nos países emergentes. ''Se é inevitável fazer acordos internacionais, temos que fazer do modo mais inteligente possível, sempre pensando no interesse nacional'', disse.
Para Laplane, o Brasil não pode fechar acordos com as mesmas condições que o Japão, por exemplo. ''É impossível que o Barsil, com uma renda per capita de US$ 3,5 mil tenha as mesmas condições de outro país com renda per capita de US$ 20 mil. Não nos interessa uma negociação que seja igual para ambos. Tem que ter uma certa proporção, mas o Brasil precisa ser visto como um país que precisa crescer.''
A posição desfavorável do mercado brasileiro na economia internacional, para ele, é fruto do modelo de industrialização implantado no País, que possibilitou a abertura comercial e financeira para empresas estrangeiras sem incentivar que empresas brasileiras também se instalassem em outros países.
Além dos problemas internos, Laplane citou outras duas grandes dificuldades para o desenvolvimento externo do mercado brasileiro: as barreiras comerciais e a política das multinacionais existentes no País que preferem exportar só para países da América Latina ao invés de vender os produtos em outros continentes. Com isso, o Brasil deixa de vender, pois países como Argentina, Colômbia ou Chile normalmente enfrentam dificuldades semelhantes as do nosso País.


